OEIRAS – Nuria Llagostera foi uma das grandes estrelas a atuar no Campeonato do Mundo de Veteranos por Equipas. Provavelmente a maior, olhando para o palmarés. A espanhola de Maiorca chegou a ser 35.ª WTA em singulares e top cinco de pares e arrecadou dois troféus de singulares no circuito principal e 16 em parceira, onde se destaca o WTA Finals de 2009.
De regresso ao Estádio Nacional, onde atingiu as meias-finais do antigo Estoril Open em 2007, a tenista agora de 46 anos veio ao Jamor capitanear a equipa do país vizinho feminina que acabou a sagrar-se campeão do mundo de +45. “Lembro-me de ganhar à Bartoli e perdi com a Greta Arn, que ganhou o torneio. Tenho boas lembranças de Portugal, é um país maravilhoso e está perto de Espanha. Os únicos dois mundiais de veteranos que joguei foram aqui”.
Só jogou dois, ganhou os dois e depois de um percurso acessível até à final, precisou de puxar dos galões para dar o ponto decisivo à equipa. Também provavelmente porque raramente joga pontos nos dias de hoje. “Quero ter uma vida um pouco mais relaxada. Gosto de viajar, sou muito turista. Gosto de ir a lugares, viajar, visitar. Às vezes faço drills, mas o meu corpo está muito desgastado e tenho de ter cuidado. Jogar um Mundial por ano está bem, mas jogar mais, o meu corpo não sei se estaria preparado. Já são muitos anos no circuito profissional e tenho muito desgaste nas articulações e tudo dói. Mais de uma semana seria difícil”.
Apesar disso, lá vai pegando na raqueta para ajudar na carreira da jovem ucraniana Mariia Protsenko, de 14 anos. Mas somente como alguém complementar à equipa até porque, lá está, não quer sair do modo “férias”. “Ainda gosto de jogar, mas passo mal porque não me vejo ao nível que estava antes e a minha cabeça não aceita. A minha cabeça vai para um lado, mas as pernas vão para o outro e é difícil aceitar que bolas que não deveria falhar, falho. Ou que não chego a bolas curtas que chegava antigamente. É difícil para alguém que jogou a um nível alto”.
Talvez por isso se contem pelos dedos os ex-profissionais de elevado gabarito presentes em competições desta estirpe. E também porque a vontade de treinar afincadamente não abunda. “Esta malta aqui treina todos os dias ou quase. Certamente três ou quatro vezes por semana. Nós [antigos profissionais como o compatriota Daniel Gimeno-Traver, ex-top 50, também presente no Jamor] nunca jogamos. Um mês antes do torneio, com a minha jogadora, jogamos uns pontos e já está. E, claro, vens para aqui e depois vês o nível e dizes ‘devia ter treinado mais’. Mas o corpo também não quer treinar mais”.
E mesmo sem a galeria de Rafael Nadal, o maiorquino mais famoso – um caminho na ilha trilhado por Carlos Moya e mais recentemente também Jaume Munar é oriundo do mesmo local, algo difícil de explicar para Llagostera tendo em conta a dimensão do território -, semifinalista de pares em Roland-Garros não esconde o “orgulho” pela carreira, sobretudo pelo cumprir do sonho.
“Às vezes quando vejo alguma foto emociono-me com o que vivi. Sem dúvida que repetia. Faria o mesmo, mesmo que o meu corpo diga que não. Voltaria a fazer o mesmo. E, na verdade, é um orgulho ter sonhado algo quando era pequena e ter conseguido. É muito difícil, porque tem de se sonhar muito pequena e trabalhar no duro desde os 10, 11 anos. Não podes ir a festas ou ter com amigas. Ter pensado e ter conseguido é a maior satisfação que podes ter e torna-nos muito fortes”
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