Nuno Borges “queria mais”, mas viveu “um momento com um grande simbolismo”

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Nuno Borges “queria mais”, mas viveu “um momento com um grande simbolismo”

LONDRESNuno Borges abordou a estreia no emblemático Centre Court de Wimbledon frente ao número um mundial e campeão em título com “um objetivo diferente” que o ajudou a desempenhar uma exibição honrosa, mas saiu da catedral do ténis com uma sensação agridoce pelas oportunidades de fazer melhor. Ainda assim, conseguiu refletir sobre o simbolismo da ocasião nesta despedida ao quadro principal de singulares.

“É claro que o meu objetivo principal quando vou para o campo é ganhar, mas hoje sabia que ia ser muito difícil e mentalmente tinha-me posto um objetivo diferente que era ver até onde conseguia ir. É difícil de gerir, porque quando estou ali e estou perto, depois custa aceitar. Não queria levar um 6-1, 6-1 e 6-1, mas às vezes parece que até encaixamos melhor quando levamos uma tareia”, revelou ao Raquetc depois de perder por 7-6(4), 7-6(2) e 6-4 com Jannik Sinner.

“Saio daqui com uma derrota e é sempre a mesma coisa, é duro, mas acho que fiz um bom jogo. Foi pena o segundo set. Aquela esquerda na tela… estava numa boa posição, é verdade que ele ainda podia fazer-me o passing, mas depois tem ele uma bola na tela que o ajuda. Depois custa aceitar, mas estou contente pela maneira como joguei. A certa altura comecei a encaixar umas respostas e o meu serviço esteve melhor do que nos últimos dois encontros”, acrescentou.

Feita a análise ao embate, o Raquetc convidou-o a refletir sobre a ocasião e o maiato reconheceu que o Centre Court de Wimbledon — onde foi apenas o quarto português a atuar — “É um campo mesmo especial e aquele em que se sente mais o peso do momento.”

“No Arthur Ashe senti por outras razões, aqui sente-se mesmo a história, não é só o show. É o peso do momento. Passas pelos corredores, pelas escadas, por aquela entrada… é tudo de um luxo e de uma beleza com um cuidado incrível. Passa-se nos corredores e vê-se a história do ténis, sente-se uma coisa especial. É por isso que este torneio tem este prestígio que toda a gente sente. Por isso é que também fico contente por ter conseguido competir como consegui e ter-me dado uma hipótese. Porque seria muito fácil sentir-me completamente fora de mim.”

Para tudo isso, confessou, “também ajudou haver um senhor que, logo a seguir ao aquecimento no Court 7, me fez um mini-tour e mostrou por onde ia passar e explicou o protocolo. Isso ajudou-me a visualizar onde ia estar e não foi um choque tão grande.”

“Não sonhei com isto desde pequeno, aliás, não me via mesmo a ser… eu gostava de ser jogador profissional, mas não fazia ideia do que é que isso queria dizer. Mas claro que assim que comecei a entrar neste nível ansiei por ter jogos assim e sem dúvida que este vai ser um momento com um grande simbolismo na minha carreira e que espero guardar. Certamente tenho muitas fotos deste momento para depois poder rever, porque foi especial ter lá os meus pais, o meu primo, a minha equipa, os meus agentes, a minha namorada. Tudo isso cria um simbolismo gigante, porque é o court central mais especial do mundo”, rematou Nuno Borges.

Depois do Arthur Ashe Stadium, em Nova Iorque, da Rod Laver Arena, em Melbourne, e do Centre Court, em Londres, só lhe falta mesmo o Court Philippe-Chatrier, em Paris.

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