PORTIMÃO — Marta Magalhães começou a jogar ténis aos quatro anos em São Miguel e aos 18 anos conquistou uma bolsa que a levou a atravessar o Oceano Atlântico para fazer do Idaho uma segunda casa, onde estudou e competiu no circuito universitário dos EUA. Mas no regresso aos Açores descobriu o ténis de praia e a mudança de raquetas desbloqueou feitos e objetivos até então impensáveis.
“Foi na altura da pandemia. Em São Miguel jogava-se bastante na praia, mas eu não sabia que era um desporto com competição e essa parte foi sempre muito importante para mim. Na altura ainda estava nos Estados Unidos a jogar ténis, mas quando me apercebi que tinha competições comecei a entrar mais no desporto e a fazer torneios aqui em Portugal. Fui indo bem e isso é que me fez ir dos Estados Unidos diretamente para o Brasil”, explicou na entrevista que aconteceu durante o Sand Series de Portimão, o segundo torneio equivalente a um Grand Slam a acontecer no país (o primeiro, também promovido pela Federação Portuguesa de Ténis, realizou-se no areal de Matosinhos em setembro de 2025).
Com o sotaque dividido entre o açoreano e o português do Brasil que é comum a praticamente todos os protagonistas do beach tennis, nomenclatura mais utilizada, Marta Magalhães explicou ainda que “no princípio só fui com a mentalidade de ter um ano de experiência e depois talvez ser treinadora de ténis, que era o que tinha planeado inicialmente, mas realmente comecei a gostar bastante do beach tennis e as coisas começaram a correr bem.”

Foi assim mesmo: em maio de 2022 jogou o primeiro torneio internacional, em junho conquistou o primeiro título e exatamente um ano depois estreou-se no top 100 mundial, no qual continuou a escalar posições até cimentar o estatuto de portuguesa com melhor ranking de sempre na modalidade ao atingir o 22.º posto que ocupa atualmente.
Tudo tornado possível pela coragem e ambição com que se descreve: “As coisas que eu quero, geralmente tenho tendência a ir [e fazer]. Não penso muito nas dificuldades que talvez possa enfrentar quando vou para um país novo completamente sem conhecer ninguém”, como fez primeiro com os EUA e mais tarde com o Brasil.
“Muito grata ao ténis por tudo o que me deu”, Marta Magalhães “precisava da mudança de ares” e encontrou uma modalidade “totalmente diferente” que lhe permite manter a ambição e a paixão pela competição ao mesmo tempo que crescem objetivos outrora impensáveis.
“Penso que dos países todos da Europa, Portugal é o que está a fazer mais competições de beach tennis e a investir mais no beach tennis, o que é muito importante para o desporto em geral porque não pode ser só no Brasil que existem competições, principalmente se o objetivo é que se torne um desporto olímpico. É um sonho meu e de toda a gente que joga beach tennis, eu estou nisto mais recentemente, mas há jogadores que já estão nisto há 15 ou mais anos e é um sonho de qualquer atleta estar nos Jogos Olímpicos. Sei que há outros desportos que também estão a crescer bastante, mas penso que estamos a caminhar na direção certa e pode ser possível”, revelou.
A curto prazo, e num ano em que forma parceria com a francesa Maire Bray, o objetivo de Marta Magalhães passa por “entrar no top 20.” São apenas dois degraus a separá-la dessa meta, mas para os subir “é preciso pontuar nos BT400 e nos Sand Series”, tal como fez em Portimão, nas Ilhas Canárias (chegou aos oitavos de final) em Saint Gilles les Bains e em Brasília (dois quartos de final, na cidade brasileira com uma vitória histórica contra as líderes do ranking).
O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim conseguiremos informar mais pessoas sobre o que acontece no mundo do tênis!
Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original
