Na última sexta-feira (14/08), o nome de Leonardo Storck apareceu pela primeira vez no ranking mundial da ATP. O ponto conquistado no começo de agosto, contra o peruano Nicolas Baena, no M15 de São Paulo, finalmente havia sido computado, colocando fim à espera do garoto mato-grossense de 17 anos, que tinha passado perto do objetivo em outra oportunidade. Pensando a longo prazo, ele mira alto em sua carreira.
“Daqui 5 anos, quero estar no top 20. É minha meta. Ficaria feliz em chegar lá e ver que consegui. Acredito que tenho nível pra isso, mas preciso treinar o dobro, me dedicar ainda mais pra conseguir. Preciso treinar muito mesmo, você nem imagina”, afirmou Storck, em entrevista ao OTD.
Mas, rapidamente, o garoto adotou um discurso mais pé no chão. “Aprendi que nem tudo acontece da forma como a gente quer e nem no tempo que queremos. Algumas coisas demoram pra acontecer e a gente precisa lidar bem com isso. Precisamos seguir trabalhando firme”.
O primeiro ponto conquistado na ATP
Para conquistar o primeiro ponto no ranking mundial dos tenistas profissionais, Storck venceu o confronto contra Baena por 2 sets a 1, com parciais de 6-3, 4-6 e 7-5, em jogo que durou 2h20min. Apesar de todo o apoio da torcida brasileira presente na arquibancada, o jovem tenista chegou a pensar que ficaria no quase.
“Foi um jogo muito difícil, e, naquele momento, com 5 a 3 abaixo no terceiro set, eu já não acreditava mais. Pensava, que eu estava batendo na trave de novo. Eu já tinha ficado muito perto desse ponto no ranking em outra oportunidade, então estava sentindo isso de novo. Mas meus técnicos estavam lá me apoiando, eu olhei pra eles e aí consegui me animar e virar a partida”, disse.
“É um ponto muito importante, muito marcante. É o primeiro passo no profissional. Não foi uma conquista fácil, mas estou muito feliz”, completou o tenista, que agora é o número 2168 do mundo, empatado com outros três brasileiros. No entanto, na tabela juvenil, Storck é o 23º, o segundo melhor do país, atrás de Luís Guto Miguel, que é o líder.
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A temporada de confiança e o reconhecimento das próprias habilidades
E, por falar no número 1 do mundo entre os juvenis, o duelo de Storck contra Gutão na semifinal de Roland Garros júnior foi uma das partidas mais marcantes do mato-grossense na temporada.
“O Guto é um amigão, conheço ele há anos, mas foi a primeira vez que a gente tinha jogado contra. É incrível isso. E, você sabe, ele joga muito, agride muito, é muito forte. Foi um jogo muito difícil. Eu acabei ganhando o segundo set e cheguei a abrir 2-0 no terceiro, só que levei a virada. Mas foi bom, mostrou que eu tenho um nível alto”, disse Storck.
O ótimo 2026 de Storck também está marcado pela bela campanha em Paris, mas, antes, ele precisou conquistar a vaga no torneio. Para isso, jogou o Roland Garros Júnior Series, em São Paulo, e foi o campeão, após vitória de virada contra o colombiano Juan Bolivar. Mesmo com a classificação garantida e o torneio parisiense já em andamento, o jovem tenista só foi se dar conta do tamanho de cada etapa superada já na terceira rodada.
“Aquela semana foi muito louca, porque eu duvidada muito de mim. Eu vinha de um ano onde perdi muita confiança. Não sabia que podia jogar daquela forma. Quando percebi, já era a terceira rodada. E a cada jogo que passava eu só queria prolongar aquilo um pouco mais. Então, se eu estava mal no jogo, se estava perdendo, eu pensava, ‘eu preciso dar uma enrolada a mais aqui. É Roland Garros. Não se se estarei aqui no ano que vem. Quero aproveitar mais’. Aí eu ia lá e ganhava o jogo”, contou Storck.
Os planos para o futuro de Storck e o desafio da transição para o profissional
Mesmo com o bom ano no juvenil e a conquista do primeiro ponto na ATP, Leonardo Storck não se prende muito aos planos. Perguntado sobre como seria feita a transição para o profissional, ele demonstrou confiança em sua equipe técnica, além de um certo desapego a quais torneios deverá jogar nos próximos anos.
“Eu gosto de viver mais o dia a dia. A minha equipe está cuidando dos planos, o calendário, os próximos passos. Eles sabem de tudo. Eu confesso que não sou muito bom de ficar lembrando dessas coisas não. Mas confio neles e acredito que vai dar tudo certo”, disse o atleta.
Ainda assim, Storck sabe das dificuldades que terá pela frente ao subir de vez ao nível profissional. Mas o jovem se diz preparado e conta que a carreira no juvenil teve uma boa contribuição para seu aprendizado.
“Eu já tô acostumado com a rotina de tenista. Tem muito esforço envolvido e eu já sei mais ou menos o que me aguarda. O juvenil te prepara bem pra esse tipo de coisa, os perrengues. Meus técnicos falam que isso vai criando casca. Não tem nada fácil na carreira. A diferença é que eu não viajo tanto hoje em dia e isso deve aumentar muito quando eu estiver totalmente no profissional. Mas com o resto tô acostumado”.
A jornada solo de Storck há mais de três anos no Rio e quem é ele fora das quadras
Mudar de cidade nunca é fácil, ainda mais quando já estamos acostumados com uma rotina. Ficar longe dos pais, então, é um desafio, principalmente quando se é muito jovem. Mas, após uma decisão em conjunto, há três anos e meio, Storck e seus pais decidiram que era hora de o garoto encarar um novo desafio: sair do Mato Grosso e ir treinar no Rio de Janeiro.
Membro da Rio Tennis Academy, Storck aparenta não ter tido medo da mudança. Hoje, ele vive sem a presença frequente dos pais.
“Imagino que seja difícil pra eles deixar o filho morar sozinho tão cedo, os pais querem sempre estar por perto. Mas estou bem aqui, já acostumei. Tudo o que eu preciso, tenho aqui, e a praia está perto. Eu moro no alojamento da academia, eu quase moro na quadra (brincou). Fico quase o dia inteiro aqui treinando, é muito bom. Estou bem acomodado nas instalações”, ressaltou.
Com uma postura realista, Storck sabe que haverá dificuldades e um distanciamento maior da família nos próximos anos.
“Cara, tem momentos que são mais difíceis e que eu sei que vão piorar. Eu vejo meus pais, sei lá, de cinco a seis vezes por ano. Faz uns quatro anos que não vou no aniversário da minha irmã. E no profissional isso vai aumentar ainda mais. Tem momentos que sinto saudade, mas já tô muito acostumado a estar fora de casa desde cedo. Não é algo que me afeta muito. São muitos treinos, é uma rotina de muito trabalho”.
Tanta maturidade esconde um pouco quem é o Leo fora das quadras. Amante da praia, ele revela que é uma pessoa muito agitada mesmo quando está fora do período de treinos.
“Eu gosto ficar sem fazer nada. Mas mesmo quando tô de boa, tô fazendo alguma coisa, tô me mexendo, sou muito ativo, sempre tô brincando com alguma coisa, me movimentando. Eu amo ir à praia, é realmente uma paixão e está tão pertinho de mim, isso me faz muito bem. E sempre tô ouvindo música também. Ouço de tudo, pagode, sertanejo, a música do momento. Pra mim não tem tempo ruim”, disse o garoto com um sorriso no rosto.
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