A epopeia de Francisco Rocha narrada pelo próprio: o contra-relógio para competir na CT Porto Cup

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A epopeia de Francisco Rocha narrada pelo próprio: o contra-relógio para competir na CT Porto Cup

PORTO – Francisco Rocha viveu horas muito atribuladas para conseguir competir na primeira ronda da CT Porto Cup. A representar Portugal nos Jogos do Mediterrâneo em Taranto, no sudeste de Itália, o portuense de 26 anos fez das tripas coração para estar a tempo e horas no Clube de Ténis do Porto.

Conseguiu, ainda que tenha sido visível, até para o adversário Tiago Pereira, não estar obviamente no pleno das condições. Rocha deu uma longa conversa no rescaldo, mesmo cansado, onde explicou pormenorizadamente todo o itinerário que o levou desde o duelo da medalha de bronze (que perdeu) até à ronda inaugural de uma prova que tinha pontos a defender relativos à segunda eliminatória 12 meses antes.

“Não quero arranjar desculpas, até porque me senti bem. Mas não estava nas melhores condições. Estava um pouco cansado e isso levou-me a estar precipitado”, frisou, sempre sem querer tirar mérito ao compatriota com “maturidade competitiva”.

O número dez nacional só quis saber o nome do opositor após o término da competição em Taranto (ficou com dois quartos lugares, também em pares mistos, por isso sem medalhas) e admitiu que esta vai ser das derrotas mais fáceis de lidar. “Foi dos jogos da minha vida com menos responsabilidade. Nunca joguei com tão poucas horas de sono. Tudo isto são aprendizagens para melhorar no futuro. Só assim vou conseguir chegar onde quero”.

Resumidamente, Francisco Rocha terminou o encontro em Itália sensivelmente 22 horas antes do embate agendado no Porto. Passou por problemas na segurança do aeroporto em Bari, já pela madrugada dentro, apanhou um voo para Bruxelas e só aterrou na invicta às 12h30, cinco horas antes do desafio contra Pereira. Dormiu quatro horas, todas no avião, foi a casa almoçar, fez uma pequena sesta e seguiu para o torneio. Uma verdadeira jornada acidentada, mas com uma boa história para contar.

Também a experiência em Taranto dá uma boa história para o futuro. Apesar de ter falhado o “objetivo de ganhar o ouro”, Rocha garante que a semana foi memorável, rodeado de atletas de excelência de todas as modalidades e num ambiente de cruzeiro que ficará na memória.

Agora vai atacar uma fase com oito torneios em nove semanas e com novo treinador. Há dois meses e meio, o ex-college passou a contar com João Carvalho, mais conhecido por Jampa no meio tenístico nacional. Estão sediados na Póvoa do Varzim e foi o próprio João Maio, técnico de sempre, a incentivar a parceria e o acompanhamento personalizado que faltava na sua carreira.

“Preciso de ter alguém comigo nos torneios e tem sido muito melhor do que estava à espera. O Jampa vê e vive o jogo de forma parecida à minha, complementamo-nos muito bem e ele tem uma energia positiva e uma vontade de ganhar até maior do que a minha. Investir na minha equipa sobe o meu nível. Estamos a construir as fundações para algo melhor”.

O que não muda é a vontade de representar a Maia no Campeonato Nacional de Equipas. E a vontade de ser melhor hoje do que ontem. E agora terá sempre Taranto como experiência para guardar com muito carinho na memória.

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