Um corredor, um regressado e um ioiô acompanham Faria nas meias-finais do Oeiras Open 4

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Um corredor, um regressado e um ioiô acompanham Faria nas meias-finais do Oeiras Open 4

OEIRAS –As meias-finais do Oeiras Open 4 são aliciantes por vários motivos. E se Jaime Faria dispensa apresentações, os três parceiros do penúltimo dia de competição têm muitas histórias para contar, mesmo que sejam todos sobejamente conhecidos do público.

Emilio Nava, segundo cabeça de série, 108.º ATP, 74.º em março de 2026

O adversário do número dois nacional é o mais cotado do torneio desde a segunda eliminatória. Filho de pais mexicanos, mas nascido em Los Angeles, Nava gosta de Portugal também porque lembra muito a cidade natal e esse foi um dos motivos para ingressar no Oeiras Open 4 quando há dois Challengers esta semana de nível 175.

Com necessidade de rodar na antecâmara de Roland-Garros, o campeão de seis títulos Challenger, todos no pó de tijolo, contou em conferência de imprensa estar a tentar aliar a agressividade “natural” do seu arsenal – poucas vezes, nos últimos tempos, deve ter passado por Portugal alguém a optar por espancar a bola com toda a força em cada pancada – com uma maior consistência. “Estou ansioso por ver o resultado”.

Apurado para a primeira semifinal de 2026 depois de salvar um match point, o americano de 24 anos falou da fase atual da sua carreira. “74 [ranking] é muito bom. Estou orgulhoso, o caminho é longo para lá chegar. E consegui-o com vários pontos consecutivos no ano passado e este ano tenho muitos a defender, por isso quis jogar no circuito principal. Fiz um bom trabalho ao defender boa parte desses pontos no ATP Tour. Quero melhorar semana após semana, os pontos, o ranking e o dinheiro são apenas consequência do que faço bem ou mal”.

Quartofinalista esta época em Santiago pela segunda vez no ATP Tour (também alcançou a terceira ronda em Madrid), Nava admite que esta abordagem mais processual não foi fácil de almejar, até pelas expetativas criadas pelo próprio, e por todos, findo o circuito júnior. “Perdi com o Musetti na final do Australian Open e agora ele é top 10, não é fácil não pensar nisso, especialmente porque tenho grandes esperanças e sonhos. Mas o ténis tem uma longa carreira”, sublinhou o ex-número cinco mundial do escalão, também finalista no US Open em 2019.

Emilio Nava é filho de uma ex-top 300 WTA e de um sprinter olímpico. Os pais conheceram-se nos Jogos Olímpicos de Seul de 1988, uma “grande história”. Depois de crescer tanto na pista como num campo de ténis, o californiano escolheu o ténis pelo “dinheiro”, disse meio a sério meio a brincar. Mas não brincou quando desafiou o circuito a correr contra ele. “Estou pronto, na pista lutaria por um Grand Slam” (risos).

Jaime Faria tem a missão de empurrar o confronto para uma maratona quando Emilio Nava se intitula especialista nos 400 metros. Será o segundo confronto entre ambos e o luso venceu nos quartos de final do Challenger de São Paulo, em março, a caminho da primeira de duas finais na presente época.

Laslo Djere, qualifier, 279.º ATP, 27.º em 2019

Olhando para o currículo, Laslo Djere é o mais credenciado de todos. No entanto, apesar dos três títulos ATP ao cabo de seis finais, o sérvio de 30 anos precisou de jogar a fase de qualificação por ter caído na hierarquia às custas de uma lesão na perna esquerda. O outrora top 30 falou de expetativas e ambições no rescaldo do quinto triunfo da semana e do 15.º de 2026.

“É difícil voltar. Mas sei que jogador sou e o que alcancei na minha carreira, ainda que o meu ranking não o reflita. Seja 350 ou 60 como no ano passado sei que tenho ténis para jogar bem e fazer bons resultados. Os resultados dependem de como jogo, mas sei que tenho nível. Estou a mostrar que estou a voltar a esse nível. Não esperava, mas sei que se tudo se alinhasse podia ter uma boa semana”, contou após carimbar o melhor resultado do ano.

Pela primeira vez em Portugal desde os 14 anos, Djere contou que deitou fora a chance de voltar aos courts com ranking protegido e, portanto, vai falhar Roland-Garros. “Teria sido inteligente. Assim é mais difícil subir”. Mas sublinha que a experiência, o saber o que é “preciso ser feito para atingir” a elite dá “confiança”.

“Estou confiante que posso regressar a esse patamar. É difícil, sete, oito anos no top 100 paticamente sempre, não pensar se vou estar num quadro principal ou no qualifying, e agora nem entro nos qualifyings. Tenho de ir pelo caminho duro no Challenger Tour, não será fácil, mas conseguirei lidar com isso. Acredito que voltarei, vou dar o meu melhor”.

Só um título esta semana (tem dois nesta categoria em 12 finais) e pode aproximar de Wimbledon, até porque está a cair no ranking em virtude do que fez há 12 meses. Mas pelo que se tem visto esta semana no Jamor e pela ambição expressada, será tudo uma questão de tempo. Para já enfrenta outro ex-top 100 nas meias-finais.

Hugo Dellien, sexto cabeça de série, 133.º ATP, 64.º em 2022

O número um da Bolívia é um autêntico especialista de terra batida e um “papa títulos” na superfície e na categoria – ao todo são 15 os troféus no ATP Challenger Tour em 24 finais, todas em terra. Só em 2026, Dellien celebrou um título e cedeu num encontro decisivo e esta será a quarta meia-final da temporada.

“Estou contente com o meu nível. Há que saber competir quando não se joga bem”, referiu acerca do torneio, e “estou contente com 2026, estou num bom momento”, enfatizou relativamente à época em curso.

E depois explicou, no fundo, a sua carreira em poucas palavras, o que nos fez lembrar um ioiô, com o maior dos respeitos. “Tenho andado sempre a entrar e a sair do top 100. Quando entro é porque ganhei alguns Challengers e quando saio do top 100 tenho de os voltar a ganhar para reentrar. Fiz isso durante toda a minha carreira. É bom e mau ao mesmo tempo. É a carreira que tenho e estou contente com ela. Se puder vencer mais assim o farei.”.

Dellien vai à caça de engradecer ainda mais o currículo, mas todos os protagonistas das meias-finais são de luxo e no fim de contas, no próximo sábado, o campeão vai ficar bem numa galeria de Oeiras Open já com bastante historial.

A partir das 11 horas, o Court Central do Jamor recebe um menu que podia perfeitamente ser de um torneio do circuito principal. Com entrada livre para todos os presentes.

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