
O tênis individual do Aberto dos Estados Unidos de 1963 foi disputado de 28 de agosto a 8 de setembro nas quadras de grama do West Side Tennis Club, na cidade de Nova Iorque, enquanto as competições de duplas masculinas e femininas se iniciaram na semana prévia do
início das competições individuais, de 18 a 25 de agosto, e foram sediadas no Longwood Cricket Club, em Chestnut Hill, no estado de Massachusetts, também no piso de grama.


Clarence Davís Jr. foi o diretor do Aberto dos Estados Unidos de 1963. Juntamente com Clarence Davis Jr., Maha Thray Sithu U Thant, que era o secretário geral da ONU (Organização das Nações Unidas) e Edward Turville, então presidente da USTA (United States Tennis
Association), na época ainda chamada de USLTA, foram os encarregados de entregar os troféus aos campeões e vice-campeões individuais.
O tênis feminino do Aberto dos Estados Unidos de 1963
Maria Esther Bueno foi a campeã individual do Aberto dos Estados Unidos de 1963. Na final, um domingo ensolarado e Maria Esther Bueno enfrentou Margaret Smith, um confronto que já era um clássico do tênis mundial.
Margaret Court Smith era a primeira cabeça de chave do torneio e Maria Esther Bueno a cabeça de chave número quatro.
Em uma final de tenistas do hemisfério sul na América do Norte, a brasileira venceu a australiana por 2×0 (7-5 e 6-4). Foram 12 mil espectadores na quadra central do West Side Tennis Club, no bairro nova-iorquino de Forest Hills.

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Com um saque forte e notável jogo de rede, Maria Esther Bueno conseguiu desempenhar seu grande nível de jogo. Depois de perder o primeiro set, Margaret Court Smith abriu uma vantagem importante no segundo set, com 3-0 e 40-0 e depois 4-1 com 30-0. Entretanto,
Maria Esther Bueno venceu consecutivamente cinco games para vencer o set, o jogo e o campeonato. A partida teve a duração de 45 minutos.

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O jornalista esportivo norte-americano Allison Danzig analisou a partida: “A senhorita Bueno venceu o set inaugural contando com seu saque forte, retorno de saque e seu bom voleio. O backhand da senhorita Smith não estava tão bem calibrado, principalmente na devolução de
saque, e seu saque normalmente potente não estava muito funcional. Ela cometeu uma dupla falta ao perder o terceiro game e, depois de revidar no décimo game, cometeu uma dupla falta no décimo primeiro, o que lhe fez perder o set. No início do segundo set, a senhorita Smith se tornou uma jogadora diferente, evitou cometer erros e, com a força de seus saques, seus voleios e golpes do fundo de quadra, dominou a senhorita Bueno. Vencendo os três primeiros games com a perda de apenas dois pontos, a garota australiana estava a frente por 40 a 0 no
quarto game. A senhorita Bueno parecia estar desamparada e resignada sobre a possível perda do set.
Em seguida, a senhorita Smith cometeu cinco erros consecutivos, quatro deles no retorno do saque, e todo o quadro se modificou. A senhorita Smith venceu o quinto game e esse foi o último que ela ganhou. Com o placar de 1 a 4 e 0 a 30 contra si, a senhorita Bueno deixou a
plateia em polvorosa com os golpes deslumbrantes que saíam de sua raquete. Seu serviço nunca foi tão forte, seus voleios e smashes davam a última palavra, ela acertava golpes incríveis com o backhand e lançava lobs em um ataque avassalador. A partir de 0 a 30 no quinto game, a senhorita Bueno cedeu apenas cinco pontos ao vencer cinco games seguidos, em meio a gritos de “bravo”. Quando acertou o voleio de backhand que terminou a partida, a senhorita Bueno jogou a raquete para o alto e pulou de felicidade.”

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Certo tempo depois da partida, Maria Esther Bueno disse: “Ouvi muitas pessoas dizerem que eu estava acabada. Esta vitória representa muito. Margaret Court não perde muitas vezes.”
Esta declaração de Maria Esther Bueno se refere aos muitos contratempos de saúde que teve durante sua carreira e ao fato de alguns desacreditarem que ela poderia voltar a ter seus habituais desempenhos excelentes.
Na disputa do individual, o único set perdido por Maria Esther foi na vitória da semifinal diante de Ann Haydon Jones, do Reino Unido, por 2×1 (1-6, 6-2 e 9-7).

Nos demais resultados de sua campanha individual, pela primeira fase, contra Mary Ann Eisel, dos Estados Unidos, vitória por 2×0 (6-0 e 6-4) em 29 minutos. Jill Rook, do Reino Unido, foi a adversária da segunda fase, com resultado de 2×0 (6-1 e 6-1). Pois exatamente esse mesmo
resultado, 2×0 (6-1 e 6-1), foi repetido na terceira fase, no jogo com a norte-americana Barbara Lewis. Nas oitavas de final, Maria Esther Bueno venceu Judy Alvarez, dos Estados Unidos, por 2×0 (8-6 e 6-1). Nas quartas de final, outra oponente do país sede do torneio, Nancy Richey,
com vitória de Maria Esther Bueno por 2×0 (6-3 e 6-2).
A norte-americana e brasileira Mary Habicht alcançou a segunda fase da competição. A tenista, oriunda e formada no clube santista Tênis Clube de Santos, venceu Kathy Blake, dos Estados Unidos, na primeira fase por 2×0 (3-6, 6-3 e 6-1), antes de perder para Ann Jones por
0x2 (2-6 e 3-6) na fase seguinte.

Na semifinal, Margaret Smith Court venceu Deidre Catt, do Reino Unido, por 2×0 (6-2 e 6-0). Um dos jogos mais equilibrados da sua campanha foi nas quartas de final, 2×1 (3-6, 6-3 e 6-2) contra Christine Truman, também do Reino Unido.

Nas duplas, Margaret Smith e Maria Esther Bueno também estiveram na final. Margaret Court Smith formou uma dupla australiana com Robyn Ebbern, enquanto Maria Esther Bueno jogou com Darlene Hard, dos Estados Unidos.
A dupla da Oceania venceu a dupla da América por 2×1 (4-6, 10-8 e 6-3).



Duas duplas do Reino Unido foram as semifinalistas. Margaret Smith Court e Robyn Ebbern venceram Deidre Catt e Elizabeth Starkie por 2×0 (6-3 e 6-4) e Darlene Hard e Maria Esther Bueno venceram Ann Haydon Jones e Christine Truman por 2×0 (6-3 e 6-4).
Em relação à Robyn Ebbern, o tenista australiano Mal Anderson disse: “Robin fez muito pelo tênis australiano, ela ganhou Grand Slams nas duplas e foi uma força do tênis feminino australiano. Uma tenista reconhecida mundo afora, todo mundo a reconhecia e apreciava o quanto ela era boa tenista. Uma grande embaixadora do tênis e de Queensland.”

Lenore Mollett relembra dos tempos em que Robyn Ebbern foi uma de suas companheiras na equipe escolar de tênis da New Farm State School, em New Farm, Queensland: “Tenho muita satisfação em dizer que estive na equipe de tênis da New Farm State School com Robyn. Ela era protagonista na equipe.”
A tenista australiana Wendy Turnbull complementa: “Quando eu era tenista júnior, ela era alguém que eu tinha como referência. Eu projetava jogar e vencer torneios Grand Slam, e lá já estava Robyn, em parceria com Margaret Smith, vencendo as duplas do Aberto da Austrália e o Aberto dos Estados Unidos. Robyn Ebbern jogou e foi bem sucedida no cenário internacional do tênis e acredito que deva ser reconhecida por ser uma personalidade do tênis de Queensland e Brisbane. Ebbern e Margaret Smith venceram o torneio de duplas do Australian Open em 1962 e 1963, e o torneio de duplas do US Open de 1963.“
A tenista norte-americana Billie Jean Moffitt King ressalta Darlene Hard: “Uma grande campeã de campeãs, minha amiga, cheia de vida, sorridente, inteligente e respeitada. Uma das grandes campeãs, dentro e fora da quadra.”
“Hard cresceu em Montebello, Califórnia. Sua mãe, Ruth, ensinou-a a jogar nas quadras públicas de tênis da cidade. Uma jogadora talentosa e agressiva, mesmo quando era jovem, ela se tornou uma atleta de sucesso em torneios juvenis, o que chamou a atenção e levou os dirigentes de tênis do sul da Califórnia a lhe oferecer a oportunidade de praticar regularmente no Los Angeles Tennis Club.”, afirma o jornalista esportivo Mark Winters, que relembra algumas participações de Darlene Hard nos Grand Slams: “No Aberto da França de 1957, Hard fez dupla com a inglesa Shirley Bloomer para vencer o torneio de duplas. Ela deu sequência à sua performance tornando-se finalista no Aberto da Inglaterra contra Althea Gibson. As adversárias de simples uniram forças para vencer as duplas do Aberto da Inglaterra de 1957.
Em 1958, ela foi espetacular. Hard, com Jeanne Arth, conquistou o primeiro de seus cinco títulos de campeã consecutivos de duplas do US Open. Com Shirley Bloomer, foi a vencedora de duplas do Aberto da Inglaterra de 1959.
Ela foi finalista de simples do Aberto da Inglaterra de 1959. Em 1960, Hard venceu Yola Ramirez, do México, pelo título de simples do Aberto da França e, em duplas, formou equipe com Maria Bueno para o título do campeonato. A dupla Hard-Bueno conquistou o troféu de duplas femininas do Aberto da Inglaterra e triunfou novamente em 1963. O US Open de duplas de 1969 foi sua última conquista em Grand Slam.”
Esta foi apenas uma pincelada sobre os títulos de Darlene. Para citar apenas os Grand Slams, Darlene Hard foi campeã três vezes e vice-campeã por quatro vezes em simples. Nas duplas femininas, foram 18 finais e venceu 13 delas, sendo sete vezes junto com Maria Esther Bueno.

“Ela sempre admirou e respeitou um trabalho bem feito. Incrível habilidade atlética natural, mas ela trabalhou diligentemente para aperfeiçoar suas habilidades de tênis que a colocaram muito cedo no cenário mundial. Independentemente de quão alto ela alcançou, permaneceu humilde sobre sua carreira e progresso como uma estrela do tênis internacional.”, disse Mona Cravens, que foi treinada por Darlene no tênis recreativo e depois, já amigas, ambas foram colegas de trabalho na University of Southern California, de Los Angeles.
“Uma duplista maravilhosa.”, diz o tenista australiano Rod Laver sobre a tenista originária do clube angeleno Los Angeles Tennis Club.
Sobre Maria Esther Bueno e Margaret Court Smith, o norte-americano e historiador de tênis Steve Flink sinaliza: “Elas encantaram o público em todo o mundo com suas personalidades contrastantes, mas estilos igualmente agressivos. Elas atacavam o jogo uma da outra de forma
inteligente e incansável e, na maioria das vezes, tiravam o melhor uma da outra. A brasileira Maria Bueno e a australiana Margaret Smith eram claramente as jogadoras de destaque daquela época, levando o tênis feminino a outro patamar, um tipo de tênis mais lento, mas em
muitos aspectos mais cativante do que o masculino, com saques e voleios. As partidas entre Bueno e Smith eram imperdíveis. Elas agregavam valor aos principais campeonatos simplesmente por estarem presentes.
Enquanto Smith era uma jogadora mais programada, que vencia suas partidas por meio da autodisciplina e da aplicação cuidadosa de suas habilidades, Bueno era, em sua essência, uma artista. Uma jogadora fluida, que frequentemente jogava pontos espontaneamente e que tinha
grande prazer em ser criativa e ousada. Ela era uma espécie de bailarina na quadra de tênis, deslizando graciosamente por muitas de suas partidas, fazendo jogadas sem esforço.”
O jornalista esportivo australiano Paul Meltzer diz que Margaret Court Smith é canhota, mas que aprendeu a ser ambidestra, porque na época quando começou a jogar, existia uma cultura de que o tênis feminino deveria ser jogado com a mão direita.
“Ela é canhota natural. Assim como Maureen Connolly, ela foi ensinada desde cedo que as tenistas jogavam tênis com a mão direita.”
Steve Flink e a própria Margaret Court confirmam a informação. Steve Flink diz: “Margaret Smith cresceu em New South Wales, na Austrália. Sua primeira raquete de tênis foi um presente de uma vizinha. Ela era canhota natural quando começou a jogar, ainda menina, e foi persuadida a mudar a raquete para a mão direita.“
“Recebi tantas provocações que finalmente mudei a raquete para a mão direita e passei a jogar assim. Sempre achei que, se tivesse continuado canhota, nunca teria tido tantos problemas com meu saque. Sempre gostei mais de bater backhand do que forehand, porque
me sai de forma mais natural”, pontua Margaret Court Smith, que descreve seu início no tênis: “Não importava o que eu fazia para me divertir naquela época, eu sempre era atraída de volta às quadras de tênis de Albury do outro lado da rua. Albury é um entroncamento ferroviário e
rodoviário na estrada principal de Sydney à Melbourne, na fronteira dos estados de New South Wales e Victoria. Nós, crianças, começamos a “jogar” tênis no meio da rua, usando as bolas verdes descartadas que encontrávamos por baixo da cerca do Albury Tennis Club. Minha
primeira “raquete” era uma tábua longa e fina, na verdade só um velho pedaço de madeira, que peguei em algum lugar. Eu errava a bola com mais frequência do que acertava com essa raquete primitiva, mas ela serviu para aguçar meu apetite pelo verdadeiro objeto — uma
raquete só minha. Isso aconteceu quando eu tinha acabado de completar oito anos. Minha mãe tinha uma boa amiga que nos visitava regularmente. Ela me viu um dia tentando acertaruma bola de tênis com meu velho pedaço de madeira. As outras crianças já tinham adquirido
algum tipo de raquete velha e surrada, mas eu ainda não tinha nenhuma e minha mãe não podia comprar uma para mim. A amiga dela nos observou por alguns minutos, depois se virou para minha mãe e disse: “Tenho uma raquete velha em casa que a Marg pode ficar.” Eu mal
podia esperar pela próxima visita dela. Ela trouxe uma daquelas raquetes grandes e antigas, com cabeça quadrada. Era tão pesada que eu mal conseguia balançá-la. As cordas estavam quebradas e frouxas, e tinha um cabo grosso de madeira sem grip. Fiquei maravilhada com ela.
Limpei-a o melhor que pude e a usei por anos. Ganhei meu primeiro torneio com ela, a competição local para menores de dez anos.
O Sr. Wal Rutter (do Albury Tennis Club) organizou clínicas aos sábados à tarde para as crianças da região, e eu sempre era a primeira a aparecer, com minha raquete grande demais e dois xelins nas minhas mãos. Eu era a aluna mais ansiosa que ele já teve. Fora da quadra, eu
praticava sozinha por horas, batendo a bola contra a parede de uma garagem de tijolos perto de casa ou com uma corda pendurada em uma árvore no nosso quintal.
As clínicas semanais organizadas pelo Sr. Rutter deram-me meu efetivo início no tênis aos nove anos. Havia cerca de 150 meninos e meninas inscritos, por uma taxa de dois xelins por semana. Essa clínica era típica das que estavam sendo realizadas em todo o estado de New South Wales e em outros estados. O tênis estava em alta na Austrália naqueles anos após a Segunda Guerra Mundial, a equipe australiana da Copa Davis estava no topo do mundo, e Lew Hoad e Ken Rosewall eram heróis nacionais. Parecia que toda criança que eu conhecia queria se tornar
campeã de tênis. Eu certamente queria.
Quando eu tinha quatorze anos, já havia colecionado cerca de cinquenta troféus… Comecei a perceber que teria que deixar Albury se realmente quisesse levar a sério uma carreira no tênis… Sydney… parecia o lugar lógico para mim.
O Sr. Rutter procurou vários fabricantes de artigos esportivos lá sobre um emprego com eles que me permitisse jogar tênis paralelamente. Essa era a prática comum naquela época na Austrália. Quase sem exceção, todo tenista de alto nível, após a Segunda Guerra Mundial,
passava a fazer parte da folha de pagamento da Dunlop, Slazenger, Spalding ou de outras fabricantes de raquetes. No entanto, os responsáveis pelos artigos esportivos em Sydney não estavam interessados em mim naquela época. Eles haviam contratado Jan Lehane e Lesley Turner…
O tenista australiano Frank Sedgman, que na época também era um empresário de sucesso em Melbourne, além de um profissional de tênis em turnê, passou por Albury com seu grupo de tênis e o Sr. Rutter falou sobre mim para ele…
Frank me viu bater algumas bolas e parecia impressionado… Fui para Melbourne e ganhei o Campeonato Escolar sub 19 de Victoria… Poucos meses depois, no início de 1959, Frank me ofereceu uma função no seu escritório em Melbourne, fazendo estenografia e datilografia, e
providenciou para que eu fosse treinada por Keith Rogers e fizesse treinamento em academia…”
“Ela cobria a quadra com rapidez e era particularmente hábil em cobrir a rede, fazendo voleios longos ,bem sucedidos e com regularidade, mostrando às adversárias como era difícil passar a bola por ela. Excelente atleta,podia contar com sua força para suportar longas jornadas de
competição.”, acrescenta Steve Flink.
A tenista norte-americana Nancy Richey afirma: “Ela era tão boa na linha de base quanto na rede, o que é uma raridade. Tinha boas jogadas de fundo, um bom forehand, um bom backhand — ela era simplesmente uma adversária dura. A maioria das jogadoras tinha mais ou menos a minha altura — 1,68 m ou 1,70 m —, mas ela tinha cerca de 1,78 m. Havia tão poucas jogadoras altas que ela era muito imponente. Uma grande atleta e uma tenista de todos os tipos de quadra.”
Nesta altura de sua carreira, vencer torneios de Grand Slams já era um doce hábito para Maria Esther Bueno. Doce o sabor da vitória e o fato de conquistar os torneios, pois na realidade, Maria Esther Bueno também tinha um cotidiano intenso de afinco, treinamentos e viagens em
uma época que as viagens eram mais difíceis, a medicina esportiva menos desenvolvida e o tênis estava muito distante das volumosas premiações financeiras.
“Você aprende a valorizar as coisas, eram poucas, eram duas raquetes. Agora os tenistas viajam com oitenta, cinquenta… Tinha que encordoar uma vez só, hoje em dia você encordoa a raquete uma hora antes do jogo. São oito, dez raquetes. A gente não tinha toda essa
facilidade. A gente jogava realmente pela honra, pela vontade de ser melhor, de ser reconhecida. Eu sempre tentava as jogadas impossíveis. Eu nunca ficava satisfeita se não jogasse um tênis bonito. Outro ponto é a família, agradeço aos meus pais e ao meu irmão. A família foi importantíssima. Sempre me deram apoio, nenhuma cobrança, só incentivos. Consegui conhecer o mundo, viajar por lugares incríveis, fazer sólidas amizades, entrar em contato com as personalidades mais célebres nos seus respectivos campos e sobretudo conseguir meu lugar na historia.”, ponderou Maria Esther.

As lesões e contratempos de saúde atrapalharam Maria Esther Bueno desde o início de sua carreira, caso contrário, é fácil imaginar que a tenista advinda do Clube de Regatas Tietê, de São Paulo, poderia ter obtido ainda mais títulos e grandes resultados.
Para citar apenas suas finais no Aberto dos Estados Unidos, Maria Bueno, no individual foi campeã em 1959, 1963, 1964 e 1966, também vice-campeã em 1960. Nas duplas femininas, campeã em 1960, 1962, 1966, 1968 e vice-campeã em 1958, 1959 e 1963.
Sobre Maria Esther Andion Bueno, o tenista, historiador de tênis e jornalista esportivo americano Arthur Bud Collins disse: “Incomparavelmente balético e exuberante.”
Billie Jean King diz: “Ela foi uma grande influência em minha carreira e na de muitas tenistas da minha geração. Nós todos a admiramos. Muito elegante na quadra – na aparência e, principalmente, na maneira como jogava.”
“Era fascinante a maneira como ela deslizava pela quadra tão elegantemente e batia na bola.”, ratifica a tenista inglesa Virginia Wade.
O jornalista esportivo brasileiro Álvaro José constata: “A categoria em quadra de Maria Esther Bueno foi reverenciada nas quadras de tênis de todo o mundo.”
“Maria Esther era uma tenista maravilhosamente talentosa, mas não se acomodava nesse status privilegiado, trabalhava duro para maximizar o dom que era só dela. Treinava todos os dias, muitas horas por dia, treinava muito, no sol ou na chuva. Inovadora e muito trabalhadora, muito trabalhadora, não se tem ideia de quanto ela treinava, de quanto jogava tênis. Fez tudo isso sem patrocínio, técnico e preparador físico. Viajava sozinha pelo mundo, sem pai, sem mãe e sem staff. Aprendi muito com ela, principalmente o amor ao tênis.”, opinao amigo e companheiro de treinos de Maria Esther, José Salibe Neto, tenista brasileiro, empresário e consultor de negócios.
Houve uma curta experiência de Maria Esther com o técnico australiano Harry Hopman, mas a tenista paulistana não se adaptou muito bem aos métodos de treinamento. “O tipo de treinamento dele não era para mim. Era jogar o dia inteiro e fazer física, corrida, etc. O meu jogo é criativo, um treino que passa de duas horas vira filme.”, afirmou a tenista.
Portanto, embora treinasse com dedicação, como afirmou Salibe Neto, talvez Maria Esther preferisse ser reconhecida principalmente pelo talento.
O tenista brasileiro, organizador e comentarista de tênis Roberto Marcher descreve sua interpretação sobre o tênis da andorinha de São Paulo: “A Maria Esther tinha uma presença impressionante na quadra. O que me chamava atenção no jogo da Maria Esther eram seus voleios, principalmente os de esquerda (backhand). Sua movimentação era simplesmente etérea. Ela não andava, planava na quadra. Seus golpes de base, no mais lindo estilo clássico eram rigorosamente chapados. E para a época, seu saque era devastador.”
“Maria Esther joga um tênis perfeito. Seu estilo é tão puro que acharíamos normal se ela ficasse horas na quadra sem cometer sequer um erro.”, disse o icônico dirigente esportivo de tênis, o francês Philippe Chatrier.
A professora Maria Esther bailava nas quadras de tênis mundo afora, e seu desempenho no Aberto dos Estados Unidos de 1963 foi mais uma de suas tantas façanhas.
O tênis masculino do Aberto dos Estados Unidos de 1963
As finais masculinas de simples e duplas tiveram confrontos da América do norte, com tenistas dos Estados Unidos e México presentes na disputa pelas taças.
Nas duplas, no dia 25 de agosto, Chuck McKinley e Dennis Ralston, dos Estados Unidos, foram os campeões, com a vitória na final por 3×2 (9–7, 4–6, 5–7, 6–3 e 11–9) contra a dupla mexicana Rafael Osuna e Antonio Palafox. Essas mesmas duplas se enfrentaram consecutivamente na final de duplas do Aberto dos Estados Unidos desde 1961, com vitória dos norte-americanos em 1961 e dos mexicanos em 1962.

Bobby Wilson e Roger Taylor, dupla do Reino Unido, e a dupla dos Estados Unidos, Earl Buchholz e Ronnie Fisher foram os semifinalistas. McKinley e Ralston venceram a dupla europeia por 3×2 (6-1, 4-6, 6-3, 4-6 e 6-2). Já Osuna e Palafox venceram a dupla norte-americana por 3×1 (5-7, 8-6, 8-6 e 6-4).
Alejandro Álvarez Zenith, professor de tênis e jornalista esportivo mexicano, comenta sobre Antonio Palafox: “Um dos tenistas mais técnicos do México. Jogador fino, introvertido, com ótimas faculdades e uma técnica de alto nível. Focado no que fazia, mantinha um equilíbrio emocional quando estava perdendo ou ganhando uma partida. Ele recebeu todos os tipos de reconhecimentos bem merecidos dentro de uma elite do tênis mundial. Um jogador a que se deve mostrar muito respeito por tudo o que representa para o tênis mexicano. A figura elegante de Antonio Palafox, o destro de Guadalajara, cujo revés era tão certeiro quanto sua memória para as batalhas inesquecíveis. Toño não apenas jogou, ele ensinou a jogar. Foi treinador de McEnroe, mentor nas sombras do gênio. Quando se fala de grandeza com uma raquete, seu nome é pronunciado com respeito, porque Palafox não foi apenas uma testemunha da glória, foi uma parte essencial da história.”

“Um tênis de estilo muito bonito. Meu pai, Ramón Palafox Gomes, o ensinou a jogar, também me ensinou e a todos os irmãos.”, conta a tenista mexicana Rosa Palafox, irmã de Antonio Palafox.
Sobre McKinley, que também praticou natação, tênis de mesa, baseball e competiu no basquete escolar, o jornalista esportivo Peter Alfano relata: “O Sr. McKinley cresceu em um bairro de presença abrangentemente operária no norte de Saint Louis, quando não era o típico
frequentador de clubes de tênis. Ele era um bom atleta, jogava basquete, baseball e também era um excelente jogador de tênis de mesa, o que convenceu seu professor, Bill Price, de que ele seria igualmente bom em uma quadra de tênis.”
Bill Price, jogador de tênis de mesa e também tenista profissional, era instrutor voluntário na YMCA de Saint Louis quando incentivou McKinley a praticar o tênis, o treinou constantemente por longas horas e depois o orientou a priorizar o tênis.
Peter Alfano continua seu relato sobre Charles Robert McKinley: “Um exímio jogador de duplas. Em 1965, quando tinha 24 anos e estava em seu auge, ele encerrou sua carreira tenística. O jogo do Sr. McKinley era agressivo. Ele batia na bola com força e atacava a rede, às vezes parecendo fora de controle. Ele não tinha medo de arranhar um joelho ou machucar um cotovelo.”
O próprio McKinley certifica: “Você está lá para vencer, assim como eles. Se você estiver na frente, não pode se dar ao luxo de relaxar e deixá-los ganhar alguns games.”

O tenista norte-americano Bill Talbert disse sobre McKinley: “Não há nada que ele não possa fazer na quadra, tem todos os golpes, é rápido, forte, tem reflexos maravilhosos e olhos de falcão.”
O autor e jornalista esportivo Paul Newman acrescenta: “McKinley não teve uma origem com retaguarda econômica privilegiada. Nascido em Saint Louis, Missouri, ele cresceu em um ambiente operário de Saint Louis, onde se destacou no tênis, tênis de mesa, beisebol ebasquete. Ele aprendeu a jogar tênis na YMCA de Saint Louis, depois que um professor o incentivou a praticar o esporte ao reconhecer seu talento no tênis de mesa. Poucas pessoas conseguiam entreter em uma quadra de grama como o efervescente americano. Um jogador cheio de ação que adorava atacar, McKinley se jogava em todos os cantos da quadra, mergulhava para acertar voleios que pareciam estar fora de seu alcance e perseguia os golpes dos adversários como se sua vida dependesse disso. Não é de se admirar que multidões em todo o mundo o adorassem. Um excelente atleta, versátil, rápido, forte e com reservas de energia aparentemente sem limite. De caráter gentil fora das quadras, ele era um competidor feroz dentro delas. Com potentes golpes de fundo e um saque venenoso, ele adorava atacar a rede, onde se lançava para a direita e para a esquerda para acertar voleios vencedores. Seus golpes smash eram uma das melhores partes de seu jogo.”
Os irmãos Butch Newman e John Newman jogaram com McKinley na equipe de tênis universitário da Trinity University, de San Antonio, Texas.
“Ter alguém como ele na equipe foi incrível. Ele destacou o tênis da Trinity University e todo o tênis universitário ao ser campeão do Aberto da Inglaterra de 1963, em simples, sem perder nenhum set.”, diz Butch Newman.
“Ele me tratava como seu companheiro de equipe e parceiro de treino. Você se tornava melhor só de tê-lo por perto na equipe.”, conclui John Newman.
Acerca de Dennis Ralston, o jornalista esportivo Bill Simons, fundador da revista Inside Tennis, declarou: “Uma figura singular no tênis americano. Conhecido por sua força de vontade, intensidade e integridade. Poucos se dedicaram mais ao tênis. Denny era um jogador ofensivo de saque e voleio e foi treinado por um dos melhores sacadores da história do tênis, Pancho Gonzales.”

O tenista norte-americano Jimmy Parker diz sobre Ralston: “Ele estava em outra estratosfera. Ele tinha uma mentalidade sensata e era muito exigente consigo mesmo. Era impaciente, masnão ofendia seus adversários. Ele tinha uma maneira de engajar as pessoas e conseguia torná-
las melhores. Dennis colocava tudo o que tinha no jogo de tênis”.
A tenista norte-americana Chris Evert, que foi treinada por Ralston, diz: “Devotado à família e um excelente jogador e treinador. Muito conhecedor de tênis, especialmente no que se refere a treinamento… com instintos aguçados e um bom olho para todos os aspectos do jogo.
Impressionou-me seu amor e lealdade à sua esposa e aos seus filhos . Eles me trataram como parte da família. Vi o respeito, o amor e o compromisso que eles tinham como família.”
Em 2019 Ralston foi perguntado sobre qual gostaria que fosse seu legado no tênis. “Estou no jogo há pelo menos 72 anos e de uma forma ou de outra, primeiro como boleiro, depois como jogador, treinador, ensinando e trabalhando com pessoas, e eu gosto de ensinar. Tem sido
divertido. O legado que eu gostaria de deixar é que, para ser bom, você precisa trabalhar duro.”, respondeu Dennis Ralston.
“Seria difícil encontrar alguém que tenha dado mais de seu coração e alma ao tênis do que Ralston, que desde o apreço pelo tênis na infância até o sucesso na juventude nos mais altos níveis, passando por momentos estrelados como jogador, capitão, técnico, instrutor e amigo que, sempre apreciou a oportunidade de estar na quadra e compartilhar sua considerável sabedoria com tenistas de todos os níveis.
Sinceridade e gentileza excepcionais. Um jogador de rede por excelência, seu jogo era sustentado principalmente por voleios precisos. Ralston foi um dos principais jogadores de simples na campanha dos Estados Unidos rumo ao título da Copa Davis em 1963 e obteve um
vice-campeonato no Aberto da Inglaterra três anos depois. Ralston liderou a University of Southern California a três títulos consecutivos da NCAA (1962-64). Isso mesmo: no mesmo ano, 1963, Ralston se destacou tanto nas equipes campeãs da NCAA quanto da Copa Davis.
Aos 17 anos, Ralston venceu o título de duplas do Aberto da Inglaterra de 1960 junto com Rafael Osuna. Foi o primeiro dos cinco títulos de duplas de Grand Slam de Ralston.”, relata o historiador e escritor de tênis, o norte-americano Joel Drucker.
Rafael Osuna foi o campeão individual do Aberto dos Estados Unidos de 1963. Na final, o representante mexicano venceu Frank Froehling por 3×0 (7–5, 6–4 e 6–2).


Osuna apresentou excelente preparo físico e técnico na partida final, particularmente no segundo set, quando Froehling colocou nos dois lados da quadra bolas difíceis de se defender, provavelmente com o objetivo de cansar Rafael Osuna. Apesar de um possível princípio de
cansaço ao final da primeira parcial, Osuna recuperou-se plenamente e venceu enfaticamente a partida.
Multiesportista, Rafael Osuna Herrera, também conhecido pela alcunha Pelón, competiu no tênis de mesa e no basquete, antes de priorizar o tênis.
O tênis de Osuna tinha velocidade, toque e consciência tática. Sobre Osuna, Bud Collins disse: “Um voraz jogador de saque e voleio que cobria a rede com reflexos e antecipação que poucos no esporte tinham. Onipresente na quadra, confundindo os adversários, sempre buscando a
rede”.
O norte-americano e dirigente de tênis Joseph Cullman afirmou: “Um dos tenistas mais rápidos que já pisaram em uma quadra de tênis, capaz de alcançar um drop shot e acertá-lo com um voleio. Ele jogava com a velocidade de uma pantera, mas com a elegância (da movimentação)
de um toreiro.”
“Um tênis bonito, com muita variedade. Movia-se com elegância e sorria muito.”, diz Steve Flink. “Um dos mais raros estratagemas disruptivos foi usado por Rafe Osuna, um jogador de duplas maravilhosamente rápido e inteligente. Nas duplas do US Open de 1966, Osuna estava em
dupla com Ronnie Barnes, em jogo contra Newcombe e Roche. Quando Barnes sacou, Osuna se posicionou na linha central, agachando-se para que o saque de Ronnie pudesse passar por ele. Nunca tinha visto isso, o tenista da rede exatamente no centro da quadra, pronto para se
lançar para qualquer lado e poder cortar a devolução. Rafe deixou os australianos confusos, ele e Barnes chegaram perto de vencer a partida no quinto set. Somente alguém que consegue antecipar-se e mover-se tão rapidamente quanto Osuna poderia se safar com isso.”, recordou-
se Rod Laver, que se referiu ao jogo de duplas da segunda fase do Aberto dos Estados Unidos de 1966, com vitória dos australianos Tony Roche e John Newcombe, por 3×2 (4-6, 6-3, 13-11, 9-11 e 6-2), sobre Ronald Barnes e Rafael Osuna.
O jornalista esportivo mexicano Mauro Flores Ledesma resumiu a carreira de Osuna: “Rafael “Pelón” Osuna nasceu na Cidade do México e desde muito pequeno se destacou nos esportes. Aos 10 anos, tornou-se o campeão mais jovem da história no Campeonato Mexicano de Tênis de Mesa, ao vencer em 1948, na modalidade de duplas, acompanhado de Alfredo Ramos Uriarte, o Lic, que foi um dos pilares no desenvolvimento do tênis mexicano.
Também praticou futebol e foi o jogador mais jovem a participar do Campeonato Nacional de Basquete do México, sendo convocado para a equipe mexicana nos Jogos Pan-Americanos. Aos 16 anos, decidiu-se pelo tênis e aperfeiçoou seu estilo durante sua estadia na University of
Southern California (USC), onde se graduou em 1963 em Administração de Empresas.
Foi peça-chave da lendária equipe mexicana finalista da Copa Davis de 1962. Além disso, ganhou duas vezes o título em Wimbledon, na categoria de duplas: em 1960 com Dennis Ralston e em 1963 com Antonio Palafox. Vencedor de três medalhas de ouro no tênis dos Jogos
Olímpicos de 1968, duas delas conquistadas nas duplas, ao lado de Vicente Zarazúa.
Em 1963, Osuna atingiu o auge de sua carreira ao se tornar campeão individual do Aberto dos Estados Unidos, tornando-se assim o primeiro latino-americano a vencer o US Open individual, um ano depois de ter conquistado o título de duplas do torneio ao lado de Antonio Palafox.”
“Ele sacava e ia para a rede, estava sempre atacando, não tinha uma força brutal, mas tinha um toque na bola que a colocava baixa no fundo da quadra, e ele subia para a rede. Era uma pantera na rede, alcançava todas as bolas, movia-se extraordinariamente na rede, alcançava
tudo. Colocava uma tremenda pressão em seus adversários e ganhava muitos pontos por causa de seu estilo de subir à rede.”, adiciona o tenista mexicano Francisco Contreras, que foi companheiro de Osuna na equipe nacional mexicana.
“Um dos grandes caras; amigável com todos, não se importava com quem você era. Ele nunca passava por ninguém e olhava para o outro lado.”, diz o tenista Tom Edlefsen, que foi companheiro de Osuna na equipe de tênis universitário da University of Southern California.
“Ele foi campeão da NCAA por equipes em 1962 e 1963, campeão de simples da NCAA em 1962, campeão de duplas em 1961 e 1962 com Ramsey Earnhart, e campeão de duplas em 1963, com Dennis Ralston. Incrível!”, recapitula o educador e dirigente de tênis Timothy Russell
sobre a carreira de Osuna no tênis universitário.

Mauro Flores Ledesma descreveu detalhes interessantes da final do Aberto dos Estados Unidos de 1963: “No primeiro game da partida, com toda a potência de seu saque, o norte-americano fez 40-0, antes de vencer. No terceiro game, depois de um ace de Froehling, Osuna ficou a três metros de distância da linha de base, quase colado ao back-stop, para receber o próximo saque. Isso causou perplexidade tanto para Froehling quanto para o árbitro de cadeira, que perguntou a Osuna várias vezes se ele estava pronto. Ele respondeu normalmente “sim”, para
a risada dos espectadores. Durante a partida, ele mudou constantemente de posição para devolver o canhão de Froehling. Ele usou o lob principalmente na devolução do saque. O mexicano lançava suas parábolas estratégicas, enquanto seu oponente, depois de enviar tremendos backhands que eram respondidos, começava a errar seus golpes.
Froehling, diante da impossibilidade de acertar aces, tentou trocar seu primeiro saque de canhão por um saque mais seguro de top spin e, na expectativa da devolução do saque com lob, parou de correr em direção à rede com a velocidade a qual fazia. Ele tentou contra-atacar
a estratégia de Osuna e, em vez de bater com força, tentou surpreendê-lo com drop shots que não incomodaram o veloz mexicano. No segundo saque do americano, Osuna ficava a apenasalguns passos da linha de saque para pegar a bola quando ela se levantasse, mas na maior parte do tempo ele estava quase no ponto de apoio para devolver de duas maneiras: pegando a bola e devolvendo-a com um lob alto ou, quando Froehling iniciava seu movimento de saque, no momento em que ele parava de observar Osuna, o Pelón corria para a frente e devolvia o saque de maneira convencional, fosse para colocar a bola em jogo ou atacando-a e indo para a rede.
Foi uma mescla de vários fatores que tirou o norte-americano do ritmo. A surpresa de Osuna ficar tão atrás na quadra e devolver os saques com lob, combinada com as risadas dos espectadores quando Osuna corria para a frente no início do movimento de saque de Froehlin,
e a eficácia de devolver os saques com lob. Rafael Osuna trocou continuamente de tática e de posição. Ficava no fundo ou se dirigia à rede e produzia pontos eletrizantes com a execução de maravilhosos voleios.
A partida terminou depois que Froehling salvou três match points com poderosos reveses.”
Bud Collins também analisou a final do Grand Slam norte-americano: “Osuna neutralizou de forma inteligente a potência de Froehling com táticas maravilhosamente concebidas e executadas, especialmente retornos de serviço com lobby de três a quatro metros atrás da linha de base. Ocasionalmente, Osuna se posicionava e recebia o saque de Froehling no alto, cortando o backhand, mas, na maioria das vezes, ele fazia devoluções com lobby para interromper o ritmo do saque-voleio de Froehling e quebrar sua suspeita de overhead. Na verdade, Osuna até escalou a parede do estádio para defender golpes, além de aplicar lobs perfeitos, com sua velocidade pela quadra, toque e variações táticas, frustrando Froehling.”





Para citar unicamente resultados do Aberto dos Estados Unidos, Osuna também foi semifinalista individual em 1961, 1962, 1964, 1965 e campeão de duplas em 1962. Frank Froehling foi vice-campeão de duplas em 1965.
Em sua campanha de 1963, Osuna venceu o francês Jean-Loup Rouyer, por 3×0 (6-1, 6-1 e 8-6) na primeira fase. O adversário da segunda fase foi o norte-americano Jim Beste, batido por Osuna por 3×0 (6-2, 6-4 e 13-11). Em seguida, na terceira fase, Osuna venceu Tony Roche, da Austrália, por 3×1 (3-6, 6-1, 6-2 e 6-2). A fase adiante era as oitavas de final e com o resultadode 3×2 (6-4, 6-2, 4-6, 3-6 e 6-2), Rafael Osuna venceu o francês Pierre Darmon. Nesta fase, Frank Froehling venceu Roy Emerson, da Austrália, por 3×1 (6-4, 4-6, 9-7 e 6-2).
“Finalista do Aberto dos Estados Unidos, semifinalista do Aberto da França, Frank foi um dos maiores jogadores de tênis universitário de todos os tempos, lembro-me dele principalmente como um companheiro de time e amigo.”, disse o tenista norte-americano Cliff Buchholz, que jogou com Froehling no tênis universitário da Trinity University.
“Jogador de tênis de nível mundial, bom estudante, ótimo colega de equipe e bom amigo. Um campeão na vida. Inteligente, trabalhador, comprometido, atencioso, ético e engraçado.”, disse Miles Cortez que também jogou com Frank Arthur Froehling III na Trinity University.
“Um cara especial e um jogador especial. Ele venceu uma partida importante e sob pressão contra Ion Tiriac, garantindo a vitória dos Estados Unidos na Copa Davis de 1971.”, recorda-se o tenista norte-americano Stan Smith. Froehling e Stan Smith fizeram parte da equipe americana campeã da Copa Davis de 1971. O jogo a que se refere Stan Smith foi o segundo do confronto da final contra a Romênia. Froehling venceu Ion Țiriac por 3×2 (3-6, 1-6, 6-1, 6-3 e 8-6).
Thomaz Koch e Ronald Barnes, compatriotas de Maria Esther Bueno, fizeram um belo papel e abrilhantaram ainda mais a participação do tênis brasileiro no US Open de 1963. A língua portuguesa também foi representada por David Cohen, de Portugal, que na primeira fase jogou contra Colin Baxter, do Reino Unido, com vitória de Baxter por 3×0 (6-3, 6-4 e 7-5).
Ronald Barnes e Thomaz Koch estiveram entre os oito primeiros colocados do torneio. Barnes alcançou a semifinal e Koch foi quadrifinalista.
Antes de chegar à final, Osuna passou por mais dois tenistas dos Estados Unidos, Marty Riessen nas quartas de final e Chuck McKinley na semifinal. Os resultados foram respectivamente 3×1 (3-6, 9-7, 6-3 e 6-3) e 3×0 (6-4, 6-4 e 10-8).
Foi Chuck McKinley, então atual e recente campeão do Aberto da Inglaterra, que venceu Thomas Koch nas quartas de final, em um jogo bastante parelho com resultado de 3×2 (6-4, 4-6, 4-6, 8-6 e 6-4).


Nesta partida em que Koch teve dois match points, o árbitro inicialmente determinou que os tenistas não deveriam utilizar sapatos de prego, calçado típico para o jogo na grama. O objetivo era preservar o gramado da quadra naquele momento do torneio. Entretanto, nodecorrer da partida, Chuck McKinley insistiu algumas vezes para que o árbitro permitisse os calçados de prego, até que em determinado momento da partida, o árbitro decidiu que os tenistas poderiam usar o calçado especial, decisão da qual Koch discordou e o questionou. Uma decisão que atrapalhou Koch que não tinha os sapatos de prego e, além disso, entendia que não era ideal o árbitro alterar durante o jogo uma determinação estabelecida antes da partida.
No percurso até as quartas de final, Ronnie Barnes passou na primeira fase por Paul Speicher, dos Estados Unidos, com o resultado de 3×0 (6-4, 6-2 e 6-2). Nesta fase, o porto-alegrense Koch venceu Harry Hoffman Jr., dos Estados Unidos, por 3×2 (6-4, 4-6, 7-9, 6-3 e 6-1).
Na segunda fase, Barnes venceu o norte-americano Tom Edlefsen por 3×2 (2-6, 6-1, 3-6, 6-3 e 6-4), enquanto, por sua vez, Thomaz Koch venceu o canadense Robert Bédard por 3×0 (6-4, 9-7 e 6-2).
Ken Fletcher, da Austrália, foi o adversário de Barnes na terceira fase, com vitória do carioca oriundo do Rio de Janeiro Country Club por 3×2 (6-8, 6-2, 2-6, 6-4 e 7-5). Já Koch venceu Gene Scott, dos Estados Unidos, por 3×1 (4-6, 6-4, 6-3 e 6-4).
Nas oitavas de final, os brasileiros jogaram contra europeus. Ronald Winston Barnes venceu Roger Taylor, do Reino Unido, por 3×2 (7-5, 2-6, 7-9, 7-5 e 8-6). István Gulyás, da Hungria, foi o oponente de Koch, com vitória do tenista procedente da Associação Leopoldina Juvenil, de Porto Alegre, por 3×0 (7-5, 6-3 e 6-3).
Na semifinal, Frank Froehling venceu Ronald Barnes por 3×0 (6-3, 6-1 e 6-4). Antes, nas quartas de final, Barnes venceu Dennis Ralston por 3×0 (6-4, 7-5 e 6-3). Ralston declarou após o jogo: ”Barnes devolveu bolas quase impossíveis de se responder, ou eram muito fortes ou bem colocadas.”


Para Roberto Marcher, Koch e Barnes jogavam muito bem em todos os pisos e em um bom dia poderiam vencer qualquer tenista do mundo. Roberto Marcher destaca alguns atributos de Barnes: “Jogo de toques, magnífico voleio de esquerda e revés fenomenal. Talento puro, cru,
em estado natural. Tenista excepcional, reflexos incríveis na quadra, muita agilidade para estar em qualquer parte da cancha. Devolvia muito bem o saque e lia rapidamente e muito bem o jogo. Pessoa excelente, alegre, brincalhão, do bem, um grande amigo.”
Dennis Ralston diz: “Ele é um jogador de garra, consistente e tem todos os golpes.” O historiador brasileiro de tênis e dirigente esportivo Walmor Elias ressalta: “Seguramente um dos mais talentosos tenistas que o Brasil já teve. Ele sempre teve facilidade por esportes, quando jovem tinha praticado futebol de praia, futsal, vôlei, natação e sempre teve habilidades múltiplas. Eram três irmãos, Reginald, Dawn e Ronald, todos jogaram bem tênis. É impressionante a carreira dele. Muito habilidoso e talentoso nas quadras. Um verdadeiro meteoro, estilo belíssimo, uma extraordinária esquerda e uma velocidade muito grande para se deslocar na quadra. Um currículo muito bom, mesmo que tenha se aposentado jovem, aos 27 anos.”
O tenista brasileiro Manoel Fernandes resume: “Talento natural e repertório completo”.
Em simples, Barnes foi quadrifinalista do Aberto dos Estados Unidos em 1967 e alcançou as oitavas de final em 1965. Também foi quadrifinalista de duplas em 1967, com a parceria do australiano Roy Emerson. Marcher e Koch definem Barnes como um gênio do tênis.
Thomaz Koch tinha apenas 18 anos quando fez essa campanha de quartas de final no Aberto dos Estados Unidos. Passaram-se 58 anos para que outro tenista de 18 anos repetisse o feito de Koch. Em 2021, o espanhol Carlos Alcaraz conseguiu chegar às quartas de final da chave de
simples masculino do Aberto dos Estados Unidos.
“Eu nunca fiz aula de tênis, talvez uma. Aprendi mais vendo o pessoal jogar e também muito seguindo meu irmão Luiz Fernando Koch. Aprendi mais observando os jogadores. Acho estranho até hoje em dia, não conheço ninguém que não tenha tido um professor. Eu nunca tive técnico. Gosto da época em que joguei. Jogava por amor. Não era por dinheiro ou por pontuação no ranking. Na minha época, não havia premiação. Os promotores do torneio pagavam passagem, hotel, alimentação e transporte para quem ia jogar. No resto, a gente tinha de se virar. Hoje, alguns pais de tenistas querem isso, a premiação, o que coloca muita pressão nos filhos.”, relata Koch, que ainda descreve alguns aspectos indesejáveis dessa época e expressa sua gratidão e estima pelo tênis: “Era muito maluco, o tenista era visto por alguns como um vagabundo, que não gostava de trabalhar, era comparado com surfista, skatista. Para alguns, o tenista não queria nada. Quando comecei, pensava o que vou fazer quando crescer? Fui muito feliz de ter participado dessa vida como tenista, aprendi muita coisa através do tênis Sinto-me muito privilegiado de ter jogado e conhecido o mundo, de que outra forma eu conseguiria isso? Até hoje curto o som a bolinha de tênis. Para quem gosta de música e escuta a bola de tênis, é uma coisa hipnótica. Sorte de quem pode sentir esse amor pelo tênis”.
Koch viu de perto, enquanto tenista, a transição do tênis para a chamada era aberta, quando as competições passaram a aceitar tenistas profissionais e amadores, sem distinção.
Sobre Koch, Gardnar Mulloy, tenista e jornalista esportivo, destacou: ”Um excelente saque e rápidos voleios.” O jornalista Gianni Carta reflete: “Seria preciso um livro para colocar no papel todas as vitórias de Koch.” Walmor Elias afirma: “Thomaz, de saque veloz e impecável jogo de
rede, construiu uma das mais belas carreiras do tênis brasileiro e foi referência de gerações. O gaúcho se tornou ícone das quadras no final da década de 1960. O genial canhoto, que atravessou tantas gerações.”
O tenista e técnico Ricardo Acioly diz: ”Um jogador referencial, quando comecei a viajar o circuito, muitos pelo mundo perguntavam sobre ele, inquestionável talento e capacidade de jogar jogos importantes, foi meu treinador, um exemplo a ser seguido.” O tenista GustavoKuerten enfatiza: “Desde criança convivi com o simbolismo de seu nome, lembrado como um tenista vencedor de torneios e pela forma de jogar. Um grande exemplo, um mestre, transmite a sensação de alegria com o esporte.” O tenista Fernando Meligeni aponta: “Pessoa incrível. Um respeito muito grande por um dos mais fundamentais tenistas do Brasil, que abriu caminho para os tenistas brasileiros e que tem caráter para falar de tênis, sempre se posicionando muito bem.”
Em dezembro de 1963, Koch foi campeão do Orange Bowl, um dos mais prestigiosos torneios juvenis. Vários especialistas de tênis consideravam Thomaz Koch o melhor tenista juvenil do mundo naquele ano.
Na grama de Forest Hills, em Nova Iorque, o Aberto dos Estados Unidos de 1963 gerou algumas páginas significativas do tênis mundial.
O US Open Plate de 1963
Eduardo Zuleta, do Equador, foi o campeão do US Open Plate de 1963, torneio anexo de consolação para os tenistas que perderam no qualifying ou nas fases iniciais do Aberto dos Estados de 1963.
Eduardo Zuleta perdeu na primeira fase do Aberto dos Estados Unidos de 1963, mas fez uma partida parelha contra Chuck McKinley, que o venceu por 3×2 (4-6, 3-6, 8-6, 6-3 e 6-1).
Na final do US Open Plate de 1963, Zuleta venceu Detlev Herdy, da Áustria, por 2×0 (6-0 e 6-1). Os semifinalistas foram Steve Gottlieb, dos Estados Unidos, e Carl Hedlund, da Dinamarca. Herdy venceu Gottlieb por 2×0 (6-3 e 6-2) e Zuleta venceu Hedlund por 2×0 (6-1 e 6–0).
*Este texto não foi escrito por inteligência artificial.