Jogar contra uma adversária já é difícil. Enfrentar alguém que conhece o seu jogo, treina com você e ainda é uma amiga próxima adiciona outra camada ao desafio. Foi exatamente esse o cenário vivido por Nauhany Silva, a Naná, de 16 anos, diante de Victoria Barros, com a mesma idade, nas quartas de final do ITF W35 de Barueri. As duas estão entre os principais nomes da nova geração do tênis feminino brasileiro, já dividiram o mesmo lado da quadra nas duplas e se conhecem profundamente. Para a tenista paulista, o duelo exigia não apenas preparo técnico, mas também adaptação ao estilo da adversária e ao componente emocional.
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“É difícil, né? O jogo dela é bem diferente do meu, ela sempre traz mais uma (coloca uma bola a mais em quadra), então eu sabia que o jogo ia ser longo e que teria que estar bem fisicamente. Acho que consegui fazer isso. Ela é uma grande amiga minha fora de quadra, então também é difícil por esse lado, mas acho que foi um bom jogo”, comentou Naná Silva em entrevista exclusiva ao Olimpíada Todo Dia (OTD). A jovem tenista tinha uma ideia de como seria enfrentar Victoria Barros. “Eu sabia que seria um jogo difícil. Já tinha jogado com a Victoria esse ano e a gente também é parceira de duplas, portanto, a gente treina direto também, quando é possível, então sabia que seria difícil”, completou.
O triunfo de Naná Silva sobre Victoria Barros nas quartas de final do ITF W35 de Barueri foi o primeiro na categoria adulta. A paulista de 16 anos ganhou por 2 sets a 0, parciais de 6/3 e 6/4. Antes disso, em março deste ano, as duas tinham se enfrentado na final do tradicional Banana Bowl, na 56ª edição, e Naná Silva levou a melhor em três séries: 6/3, 4/6 e 6/3.
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Conhecimento mútuo muda o duelo
Naná Silva e Victoria Barros não são apenas adversárias ocasionais. As duas treinam juntas quando possível e também formam parceria nas duplas, inclusive, terminaram em segundo lugar no torneio juvenil de Wimbledon. Esse convívio faz com que cada uma conheça melhor os padrões de jogo, escolhas e características da outra. A própria Naná destacou que entrou em quadra sabendo da dificuldade do confronto justamente por já conhecer Victoria tão bem.
“Estou muito feliz de ter avançado para a semifinal. No primeiro set, eu consegui ser bem agressiva, fazer o meu jogo super bem. No segundo também consegui, mas acabei errando um pouco mais do que no primeiro. Acho que a Victoria conseguiu aproveitar bastante disso e acabou tendo uma grande vantagem. Depois disso eu comecei a pensar ponto a ponto, queria deixar tudo em quadra, o máximo possível, então acho que conseguir virar porque passei a ser mais positiva, pensar mais coisas positivas e consegui virar o jogo”, afirmou Naná Silva.
Amizade fora, disputa dentro
O encontro em Barueri foi mais um capítulo de uma relação esportiva que alterna parceria e rivalidade. Em 2026, Naná já havia vencido Victoria na final do Banana Bowl J500, em três sets. Meses depois, as duas atuaram juntas e chegaram à final de duplas juvenis de Wimbledon. Essa proximidade ajuda a explicar por que o duelo em Barueri tinha um peso diferente. Não era apenas uma disputa entre duas jovens promessas do país, mas um confronto entre atletas que crescem juntas dentro do circuito e que provavelmente ainda vão se encontrar muitas vezes pela frente.
Reação no segundo set e quadra cheia
Dentro da quadra, Naná Silva venceu por 6/3 e 6/4, mas precisou reagir em um momento delicado. Victoria Barros abriu 4 a 1 no segundo set e parecia encaminhar a partida para uma terceira parcial. A paulista então ganhou cinco games consecutivos e fechou o confronto diante da potiguar. O duelo também chamou atenção do público. A quadra estava cheia, algo que surpreendeu a própria Naná Silva. Com duas brasileiras de 16 anos frente a frente, a torcida ficou dividida.
“Quadra lotada. Não tava imaginando, mas fiquei muito feliz com isso. Acho que a torcida estava meio dividida, né? Obviamente, duas brasileiras. Mas feliz. Agradeço muito todo mundo que torceu aqui para mim. Minha família também está assistindo em casa. Minha mãe, que provavelmente deve estar assistindo. E só tenho muito a agradecer a todo mundo que veio aqui torcer. E que venham torcer mais por mim na semifinal”, destacou a atleta.
Com o resultado, Naná Silva avançou à semifinal do ITF W35 de Barueri e enfrenta neste sábado (29) a canadense Cadence Brace, terceira cabeça de chave.
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