LONDRES — Jaime Faria voltou a fazer história ao celebrar pela primeira vez dentro do All England Club e não fugiu às emoções na hora de abordar a primeira vitória no quadro principal de Wimbledon, revelando também as dificuldades físicas com que lidou na transição de Roehampton.
“Procurava muito esta vitória, até porque no ano passado não tive grandes hipóteses e também não me dei grandes oportunidades de lutar por uma vitória. Sentir isto hoje é especial, ainda estou a digerir, mas é o [torneio] mais mítico e emblemático para vencer, portanto é das vitórias mais felizes da carreira”, contou ao Raquetc numa das salas de entrevistas do torneio do Grand Slam britânico.
A história fez-se com os parciais de 7-6(6), 6-3, 6-7(2) e 6-3 frente ao japonês Sho Shimabukuro e apesar de um percalço que o impediu de treinar na véspera: “Tive um contratempo no treino no domingo. Passei os últimos dois dias a coxear e ontem nem sequer treinei. Estava focado nisso, mas a partir do momento em que consegui desconectar e focar-me nas soluções para vencer consegui dar uma boa resposta. Foi um problema na anca, por isso não consegui estar tão em baixo nas respostas e sair tão bem como queria, mas mesmo assim meti muitas respostas e obriguei-o a jogar muitas primeiras bolas.”
De volta a Wimbledon e ao simbolismo de vencer pela primeira vez na catedral do ténis, Jaime Faria reforçou que “ganhar aqui significa muito e quero desfrutar disto.”
“Quando passei o qualifying em Roehampton até me ajoelhei porque deu-me um flashback e percebi que ia ter outra oportunidade de lutar por uma vitória. Passar esse qualifying e depois entrar no All England Club é mesmo muito especial e agora ainda conseguir a minha primeira vitória no quadro principal é extremamente gratificante”, acrescentou o jovem de 22 anos.
Esta é, aliás, a terceira ocasião só em 2026 em que Jaime Faria passa o qualifying de um Grand Slam e dá sequência com pelo menos uma vitória no quadro principal (em Roland-Garros foram mesmo duas), mas “se no início do ano me dissessem que ia fazer isso, não acreditava.”
Consciente da história do ténis português e desde criança apaixonado pela modalidade, ainda explicou que “por opção deixei de ver tanto ténis para conseguir desconectar-me”, mas nas próximas horas espera quebrar ligeiramente a própria regra “para ver um bocadinho do Nuno contra o Sinner e também a Serena Williams.”
Pelo meio, terá tempo para preparar a segunda ronda frente ao vencedor do embate entre Ugo Humbert e Zizou Bergs.
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