Nuno Borges critica Roland-Garros: “É um torneio com 100 anos, tem de estar preparado e não apenas reagir”

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Nuno Borges critica Roland-Garros: “É um torneio com 100 anos, tem de estar preparado e não apenas reagir”

PARISNuno Borges despediu-se de Roland-Garros com críticas à organização pela falta de preparação para lidar com uma situação recorrente, notando que a grande diferença nesta edição foi a duração da onda de calor.

Em declarações ao Raquetc depois da derrota para Andrey Rublev na terceira ronda, o melhor tenista português da atualidade, eleito no início do ano para o Conselho Consultivo de Jogadores do circuito ATP, refletiu sobre o assunto: “Talvez este ano estejamos a ter uma onda de calor mais longa, mas sinto que todos os anos temos estas condições durante pelo menos um par de dias. Por isso não acho que possa ser uma desculpa para um torneio como este não estar preparado. Tentaram corrigir em vez de se prepararem.”

“Tentamos colocar alguma pressão com a ATP para que nos arranjassem ventoinhas e fizessem um trabalho melhor com as toalhas de gelo e mesmo os frigoríficos, porque mesmo hoje foi como se durante uma hora e meia estivesse a beber chá, a água não estava fria. É um torneio com 100 anos, com o lucro que gera e com o nível que tem… estamos todos cá, os melhores do mundo estão todos a competir e merecemos mais atenção nesse aspeto. Faça sol ou faça chuva, têm de estar preparados para criar boas condições para nós, jogadores, mas também os apanha-bolas, os árbitros e toda a gente”, acrescentou o 51.º classificado da hierarquia mundial.

Ao debruçar-se sobre o assunto, Borges também lamentou as regras mais restritas para as trocas de lado, com uma duração menor apesar do formato mais longo dos encontros: “É engraçado, porque no circuito ATP temos a mudança de lados com 90 segundos, mas aqui, que jogamos à melhor de cinco sets, temos menos tempo. São 60 segundos. Mal tenho tempo de… eles metem-me à toalha nos ombros porque nem me lembro de o fazer, tudo o que penso em fazer é hidratar-me e tomar a minha bebida isotónica, não tenho tempo para mais nada. Pelo que a ATP me disse, não excedemos nenhuma métrica de calor para adotarmos alguma medida. Achei isso estranho porque tivemos alturas com 33, 34, 35 graus. Ok, a humidade não chegou a 100%, mas mesmo assim todos sentimos. No outro dia tive um apanha-bolas a sangrar do nariz no meu campo. O tempo seco também pode ser complicado, por isso não percebo.

O tenista português também lamentou a experiência vivida quando foi ao balneário durante o encontro: “Ter toalhas de gelo ajuda, ter uma ventoinha ajuda, mas ir à casa de banho e haver ar condicionado também ajuda, para não continuarmos a perder água. Estava abafada com tanta gente lá dentro, os árbitros estavam todos lá, mais elementos da organização, não foi confortável. Não tinham onde sentar-se. São pequenas coisas de que o torneio tem de tratar e que certamente não teriam um custo muito grande. É mais sobre pensar no lado dos jogadores. E nós talvez devamos dar mais feedback sobre este assunto para as coisas serem melhoradas.”

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