Thomaz Koch campeão do Aberto de Barcelona de 1966

0
15
Carlos Godó entrega a Thomaz Koch o troféu de campeão do Aberto de Barcelona de 1966

História do Aberto de Barcelona

O Aberto de Barcelona é um dos torneios mais tradicionais e prestigiosos do tênis mundial. Usualmente jogado no saibro, o torneio costuma ser sediado no Real Club de Tenis Barcelona e sua primeira edição foi realizada em 1953.

O Aberto de Barcelona surgiu com o intuito do Real Club de Tenis Barcelona de ter na cidade de Barcelona grandes jogadores do tênis mundial em uma competição organizada pelo clube.

Vídeo sobre a história do Aberto de Barcelona
Cartazes das edições do Aberto de Barcelona na sede do Real Club de Tenis Barcelona. Créditos: Tennis Channel

Em 1952, o conselho de administração do clube, presidido por Carlos Godó Valls, o Conde de Godó, aprovou a compra do terreno da Masia de Canet de la Riera, no bairro de Pedralbes, em Barcelona. Era uma escolha importante que faria o clube ser proprietário de sua própria sede e não mais locatário do local da sede inicial na Rua Ganduxer. Carlos Godó Valls, então presidente do clube, teve a ideia de o Real Club de Tenis Barcelona organizar uma bela competição de tênis para comemorar a inauguração da nova casa. O projeto do torneio já estava, de certa forma, a ser planejado desde 1948, mas principalmente desde 1951. O troféu do torneio foi oferecido por Carlos Godó. Por isso o nome do troféu do Aberto de Barcelona passou a ser conhecido por Troféu Conde de Godó. Miguel Lerín, Buenaventura Plaja, Jaime Bartrolí, Marcel Gamper, Luis Carles, Mariano Cugueró, Juan Manuel Blanc e Ramón Bosch também estão entre os que colaboraram e fizeram parte da criação do torneio.

Assinatura de Carlos Godó – Créditos: Todocolleción

A primeira edição do torneio, em 1953, foi vencida pelo norte-americano Vic Seixas, em simples, que também foi campeão nas duplas com o argentino Enrique Morea.

Em 1960, Andrés Gimeno, então representante do Real Club de Tenis Barcelona, se tornou o primeiro tenista espanhol a ser campeão do Aberto de Barcelona. Também foi em 1960 que a TVE, emissora de televisão da Espanha, transmitiu ao vivo o torneio pela primeira vez.

“Eu já tinha feito quase tudo no Aberto de Barcelona, fui apanhador de bolas e juiz de linha. Sempre tive o objetivo de ganhar este título. O dia em que consegui, foi como conquistar um Grand Slam, fiquei muito feliz, meu objetivo foi alcançado.” — Andrés Gimeno

Joan Gisbert, também representante do Real Club de Tenis Barcelona, foi o primeiro tenista catalão e barcelonês campeão do Aberto de Barcelona, com seu título de 1965.

Javier Godó, filho de Carlos Godó, assim como seu pai, também se tornou Conde de Godó e teve a oportunidade de entregar o troféu aos campeões de várias edições do torneio. Ele diz: “A história do torneio é também a história da minha família. Em casa, desde muito pequeno ouvia falar de jogadores eternos, direitas ou reveses incríveis e registros históricos vinculadas com o tênis. Recordo-me com nitidez da primeira final do torneio, em 1953, jogada por Vic Seixas e Enrique Morea. A vitória foi para Seixas depois de uma maratona que foi o terceiro set com placar de 22-20 para Seixas.”

Está correto Javier Godó: o placar do jogo citado foi 3×0 (6-3, 6-4 e 22-20).

Jorge Soler Cabot foi quem construiu o troféu e nele colocou a figura de um tenista no topo. Cabot se baseou na foto da execução de um voleio pelo tenista norte-americano Ellsworth Nines. Foram necessárias mais de 800 horas de trabalho para a elaboração do troféu.

Vídeo sobre a história do Aberto de Barcelona e com detalhes do Real Club de Tenis Barcelona
Detalhe da figura do tenista no troféu do Aberto de Barcelona. Créditos: Real Club de Tenis Barcelona
Troféu do Aberto de Barcelona. Créditos: Real Club de Tenis Barcelona

Real Club de Tenis Barcelona — Reial Club de Tennis Barcelona 1899

Considerado um clube pioneiro na prática do tênis na Espanha e fundado em 1899, ainda com o nome de Barcelona Lawn Tennis Club, o Real Club de Tenis Barcelona, também conhecido por Reial Club de Tennis Barcelona 1899, além do Aberto de Barcelona de tênis masculino, já sediou várias outras competições, tais como jogos de Copa Davis, Aberto de Barcelona de tênis feminino, a Potter Cup de tênis master masculino e feminino, o Concurso Internacional de tênis de mesa do Real Club de Tenis Barcelona de 1921, além do Campeonato Espanhol e Campeonato Catalão de tênis em diversas categorias.

Vídeo com vista aérea do Real Club de Tenis Barcelona em 2016
Imagem aérea do Real Club de Tenis Barcelona em 2016. Créditos: Real Club de Tenis Barcelona

Interessante notar a inter-relação histórica entre o Real Club de Tenis Barcelona e o Fútbol Club Barcelona, desde o princípio dos clubes, e de integrantes das duas instituições, mesmo um pouco antes de existirem os dois clubes.

Em 1999, durante o Aberto de Barcelona daquele ano, em ato conjunto, ambos os clubes celebraram 100 anos de existência. Os dois clubes foram fundados no mesmo ano — o Real Club de Tenis Barcelona em abril e o Fútbol Club Barcelona em novembro de 1899 —, com alguns colaboradores em comum na fundação dos clubes, além de integrantes que participaram de alguma forma da trajetória dos dois clubes.

Houve muita influência de estrangeiros e descendentes de estrangeiros na criação dos dois clubes. As famílias Witty, Parsons, Leask, Park, Shields e Bartows estiveram envolvidas na fundação do Real Club de Tenis Barcelona. Entre os nomes de alguma forma presentes na história dos dois clubes: Ernest Witty, Arthur Witty, John Parsons, William Parsons, Udo Steinberg, Arthur Leask e Joan Gamper.

O ciclista, jogador de rugby, corredor de atletismo, futebolista e multidesportista Hans Max Gamper-Haessing, ou Joan Gamper, como também é conhecido, especialmente na Catalunha, tinha ligações com os fundadores oficiais e, no mínimo, de certa forma colaborou com a fundação do Real Club de Tenis Barcelona. Gamper, de origem suíça, esteve entre os fundadores do Fútbol Club Barcelona, clube em que representou primeiramente como jogador de futebol, capitão e depois também na função de presidente. Além disso, Gamper tinha experiência na fundação de clubes esportivos e já tinha participado do processo de fundação dos clubes suíços FC Basel e FC Zurich.

Ernest Witty e Arthur Witty foram fundadores e tenistas do Real Club de Tenis Barcelona e também jogadores de futebol do FC Barcelona. Ernest Witty foi o primeiro presidente do Real Club de Tenis Barcelona e ainda dirigente do FC Barcelona. Arthur Witty foi presidente, dirigente e capitão do FC Barcelona e presidente do Real Club de Tenis Barcelona.

John Parsons e William Parsons, que tiveram participação na fundação do Real Club de Tenis Barcelona, foram fundadores e jogadores de futebol do FC Barcelona. John Parsons foi vice-presidente do FC Barcelona e William Parsons foi vice-capitão da equipe de futebol e também foi dirigente do clube.

Udo Steinberg, apontado como um dos fundadores do Real Club de Tenis Barcelona, foi jogador de tênis do clube e, no FC Barcelona, foi jogador de futebol e conselheiro. Arthur Leask, que foi jogador de futebol do FC Barcelona, também é apontado como fundador do Real Club de Tenis Barcelona, clube pelo qual foi jogador de tênis.

O Real Club de Tenis Barcelona teve muitos tenistas que colaboraram para a sua notoriedade esportiva, entre eles: Arantxa Sánchez Vicario, Mabel Parsons, Isabel Fonrodona, Conchita Martínez, Laura Pigossi, María Luisa Marnet, Ángeles Montolio, María Antonia Sánchez Lorenzo, Flavia Pennetta, Paula Badosa, Lilí Álvarez, Vicky Baldovinos, Carmen Perea, Mary Weiss, Maria Josefa de Riba, Rosa Torras, Manuel Orantes, Manuel Santana, Feliciano López, Marc López, Félix Mantilla, Emilio Sánchez, Carlos Costa, Tomás Carbonell, Tommy Robredo, Nicolás Almagro, Fabio Fognini, Albert Ramos, Grigor Dimitrov, Marcel Granollers, Albert Montañés, Luís Carles, Galo Blanco, Fernando Vicente, Javier Sanchez, Ernest Witty, Arthur Witty, Alberto Durall, Enrique Maier, Francisco Roig, Jorge Soler Cabot, José Higueras, Rafael Nadal, Carlos Alcaraz, Carlos Moyá, Edson Mandarino, José María Sagnier e Albert Costa.

Vista externa do Real Club de Tenis Barcelona. – Créditos: Real Club de Tenis Barcelona

O clube também disputa competições de tênis e, entre outros títulos, possui o Campeonato Europeu interclubes masculino de 1981, 1982, 1989, 1991, 1992 e 2001, o vice-campeonato europeu masculino de 1977, 1983, 1984, 1987 e 2000, o Campeonato Europeu interclubes feminino de 1999, o Campeonato Mundial interclubes masculino de 1981, e múltiplos campeonatos catalães e espanhóis, no masculino e feminino, na categoria absoluto e outras categorias de classes ou idades.

O Aberto de Barcelona de 1966

O Aberto de Barcelona de 1966 foi disputado de 16 a 22 de maio de 1966, no piso de saibro, em quadras descobertas, no Real Club de Tenis Barcelona, na capital da Catalunha. A competição masculina foi disputada em melhor de cinco sets a partir das quartas de final, mas com jogos em melhor de três sets nas fases iniciais. A bola oficial do torneio foi a Dunlop Fort. O Aberto de Barcelona de 1966 ofereceu hospedagem completa, com acomodação e refeições, a todos os participantes do evento individual.

Os três primeiros dias da competição tiveram entrada livre aos espectadores na arquibancada geral. Os preços de um ingresso diário eram de 40, 60 e 80 pesetas, inclusive no dia da final do torneio. Alguns jogos do torneio precisaram ser adiados devido à chuva. Na manhã do dia 20 de junho de 1966, a cidade de Barcelona pôde observar um eclipse solar parcial.

Credencial de acesso dos jornalistas ao Aberto de Barcelona de 1966. Créditos: Todocolleción

Um dos grandes nomes do tênis, Thomaz Koch tinha apenas 21 anos, recém-completados, quando disputou o Aberto de Barcelona de 1966. Ótimos resultados no tênis da categoria principal já não eram novidades para Koch: quando tinha 18 anos, Koch foi quadrifinalista do Aberto dos Estados Unidos de 1963.

Além de Koch, o Brasil também foi representado por outros tenistas na chave de simples do Aberto de Barcelona de 1966. Luis Felipe Tavares foi eliminado na primeira fase, o cearense Reno Figueiredo foi eliminado na segunda fase, Edson Mandarino alcançou as oitavas de final e Ronald Barnes foi quadrifinalista.

Barcelona, na Espanha, entre meados e final da década de 1960
Chave do Aberto de Barcelona de tênis individual masculino de 1966 Créditos: Créditos: Real Club de Tenis Barcelona

A campanha de Thomaz Koch no torneio

Thomaz Koch iniciou o torneio a partir da segunda fase e venceu o italiano Giorgio Bologna por 2×0 (6-0 e 6-2). Nas oitavas de final, Koch teve como oponente o espanhol Juan Manuel Couder e bateu o representante do país sede por 2×0 (6-4 e 6-3). Nas quartas de final, Fred Stolle, da Austrália, e vitória de Thomaz Koch por 3×0 (6-1, 6-0 e 6-3). Este jogo foi justamente no dia do eclipse solar.

Apesar de as edições de 1963, 1964 e 1965 do Aberto de Barcelona já terem tido jogos em melhor de cinco sets a partir das quartas de final, sobre este jogo com Fred Stolle, Thomaz Koch relata uma história curiosa:

“Eu o venci por dois sets a zero, e fomos nos cumprimentar para nos despedir, mas o árbitro nos disse que a organização do torneio tinha decidido que as partidas desta fase em diante seriam jogadas em melhor de cinco sets. Ficamos pasmos, sem saber o que fazer. Felizmente, ganhei o terceiro set.” — Thomaz Koch

Portanto, o tenista porto-alegrense teve uma sequência sem perder nenhum set nos três jogos que precederam a semifinal. Na semifinal, Koch venceu Chris Drysdale, da África do Sul, por 3×1 (3-6, 6-4, 6-1, 6-1).

A final

A final do Aberto de Barcelona de 1966 foi um jogo duro. Também foi a primeira final de simples masculino entre canhotos na história do torneio.

No dia 22 de maio, na tribuna da principal quadra do Real Club de Tenis Barcelona — também conhecida como a quadra talismã —, estavam, entre outros, Luis Coma Cros, presidente do clube, Carlos Godó, o Conde de Godó, Juan Mir, presidente da Federação Catalã de Tênis, e Juan Antonio Samaranch, presidente da RFET, a Real Federação Espanhola de Tênis. Mais tarde, Samaranch se tornaria presidente do COI, o Comitê Olímpico Internacional, entre 1980 e 2001.

Um domingo ensolarado e de calor em Barcelona, mas com uma ligeira brisa. Era este o cenário da partida que decidiu a competição: Thomaz Koch venceu o croata, então iugoslavo, Nikola Pilić por 3×1 (6-3, 6-2, 3-6 e 7-5).

No quarto set, Pilić teve uma vantagem momentânea de 4-1, mas o potente forehand de Thomaz Koch teve papel importante no placar final de 7-5 do set.

Thomaz Koch e Nikola Pillic na final do Aberto de Barcelona de 1966. Créditos: Real Club de Tenis Barcelona

Logo em sua primeira participação no evento espanhol, Thomaz Koch se tornou campeão do torneio.

O jornalista esportivo Jesús Ichaso escreveu no dia 24 de maio de 1966, ao jornal La Vanguardia, de Barcelona:

“O encontro final teve um início com claro domínio de Koch, menos surpreendido do que seu oponente Pilic, pelo jogo de troca de golpes, dado a forma de empunhadura dos dois contendores. Tanto Koch como Pilic são jogadores canhotos e cabia a possibilidade de surpresa ao se verem combatidos com as mesmas armas e assim ocorreu. Porém, de forma unilateral, Pilic ficou desorientado de início e o primeiro ato da partida foi claramente vencido pelo brasileiro. A disputa prosseguiu e o segundo set terminou com retumbante 6-2, dando a impressão de que o triunfo de Koch iria ser produzido rapidamente. (…) Com o 7-5 no marcador se estabelecia o resultado final que dava o triunfo a Thomaz Koch, aclamado pelo público no momento de receber o magnífico troféu entregue pelo Conde de Godó.”

Carlos Godó entrega a Thomaz Koch o troféu de campeão do Aberto de Barcelona de 1966. Créditos: Real Club de Tenis Barcelona

O jornalista esportivo Santiago García escreveu na mesma edição do jornal La Vanguardia:

“Precisamente o feito de que destaca-se com todo merecimento o vencedor, por sua entrega total à competição, constituindo um exemplo do que deve ser um jogador que participa de um torneio. A final deste ano, entre Koch e Pilic, teve a beleza e a emoção proporcionadas pelo esforço dos lutadores que, abaixo de um sol radiante, lutaram exaustivamente por mais de duas horas disputando todas as bolas até o último ponto da partida. Se a vitória foi para Koch, tanto ele como Pilic merecem ser elogiados sem reservas.”

Thomaz Koch com o troféu do Aberto de Barcelona de 1966. Créditos: Real Club de Tenis Barcelona

O jornalista esportivo espanhol José Antonio Lorén relatou a final para o jornal El Noticiero Universal, de Barcelona, do dia 23 de maio:

“Uma final interessante entre dois jogadores canhotos que, devido às suas características bastante semelhantes em estilo, técnica e combatividade, podiam oferecer uma grande partida. E assim foi. Desde o primeiro ao último momento. Porque ambos jogaram lutando. E lutaram jogando. (…) No imperativo dos quatro sets, prevaleceu o tênis mais regular, harmonioso e equilibrado do jogador brasileiro. (…) Em suma, triunfo de Thomaz Koch por 6-3, 6-2, 3-6 e 7-5, com um total de 22 games contra 16 de Pilic, e tendo quebrado o saque sete vezes (1-2-1-3) contra cinco do iugoslavo (0-0-3-2) em 110 minutos de jogo… e de calor sufocante.”

Pilic devolve de voleio uma bola difícil no terceiro set da final do Aberto de Barcelona de 1966. Créditos: El Noticiero Universal

Resumo do placar da final

Thomaz Koch 3×1 (6-3, 6-2, 3-6 e 7-5) vs Nikola Pilić

  • Primeiro set (serviço inicial de Koch): 1-0, 2-0, 3-0, 3-1, 4-1, 4-2, 5-2, 5-3 e 6-3.
  • Segundo set (serviço inicial de Pilić): 1-0, 1-1, 1-2, 1-3, 2-3, 2-4, 2-5, 2-6.
  • Terceiro set (serviço inicial de Pilić): 0-1, 1-1, 2-1, 2-2, 3-2, 4-2, 5-2, 5-3, 6-3.
  • Quarto set (serviço inicial de Koch): 0-1, 0-2, 1-2, 1-3, 1-4, 2-4, 3-4, 4-4, 5-4, 5-5, 6-5 e 7-5.

A partida teve o total de 38 games. O jornal La Vanguardia informou que a duração do embate foi de duas horas e quarenta minutos; o jornal El Noticiero Universal disse ter sido uma hora e cinquenta minutos. Supostamente, talvez a diferença esteja na forma de interpretar tempo bruto de jogo e tempo de jogo jogado.

Montagem do Real Club de Tenis Barcelona com o cartaz do Aberto de Barcelona de 1966 e Thomaz Koch com o troféu. Créditos:
Real Club de Tenis Barcelona

Koch e a Copa Davis de 1966

“O interessante é que essa vitória em Barcelona aconteceu logo após nós termos derrotado os espanhóis na Copa Davis”, destaca Thomaz Koch.

De fato, na semana anterior ao início do Aberto de Barcelona de 1966, Espanha e Brasil se enfrentaram pela Copa Davis justamente em Barcelona, nas instalações do Real Club de Tenis Barcelona. O Brasil venceu o confronto por três a dois em vitórias. A Espanha foi a segunda adversária do Brasil, nesta que foi uma ótima campanha da equipe brasileira, que ficou apenas uma vitória distante de jogar a final da Copa Davis de 1966.

O estilo de jogo de Koch

Thomaz Koch levanta o troféu do Aberto de Barcelona de 1966. Créditos: El Noticiero Universal

O estilo de Koch tinha a predominância do saque e voleio. Sobre essa época, os jornalistas esportivos espanhóis Alfred Bellostas e Josep Margalef dizem: “Koch tinha um tênis ofensivo, gostava de jogar no ataque, jogava bem em todas as superfícies, com um revés efetivo e um forehand muito profundo.”

Alfred Bellostas conclui: “Um tenista completo, um canhoto singular. Certamente o público do Real Club de Tenis Barcelona gostou muito dele.”

Mais algumas curiosidades: Thomaz Koch nunca teve um técnico oficialmente. Seu avô, Augusto Koch, foi jogador de futebol e um dos fundadores do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, e seu pai, Walter Koch, foi presidente da Associação Leopoldina Juvenil, dois clubes que impulsionaram o esporte de Porto Alegre. Koch começou a praticar o tênis na Leopoldina Juvenil, clube próximo de sua casa, tornou-se vegetariano, praticante de yoga, defensor da paz e sempre apoiou as causas humanitárias.

Documentário curta-metragem sobre Thomaz Koch

O tenista e comentarista de tênis Dácio Campos considera o voleio de forehand de Koch como um dos melhores da história. O tenista Gustavo Kuerten cita que Koch tem passagem ilustre na história do tênis, que é um exemplo e mito do tênis. O tenista, empresário do esporte, técnico e comentarista de tênis Marcelo Meyer diz que Koch é um gênio do tênis. O tenista norte-americano Charlie Pasarell, também fundador do Aberto de Indian Wells, disse: “Em um bom dia, Koch era capaz de ganhar de qualquer dos melhores tenistas.” Marcos Hocevar, destacado tenista brasileiro, afirma: “O tênis do Thomaz era incrível: aqueles movimentos matadores, amplos, eficientes. Muitas vezes os golpes podem ser bonitos, mas não eficientes. O Thomaz era eficiente.”

Koch nas duplas do Aberto de Barcelona de 1966

Além de competir em simples, Koch também jogou a chave de duplas do Aberto de Barcelona de 1966, alcançou a final e foi vice-campeão, ao lado de Edson Mandarino. A dupla campeã foi composta pelos lendários australianos Roy Emerson e Fred Stolle, que venceram os brasileiros por 2×0 (9-7 e 6-4), um duelo parelho.

Fred Stolle foi duas vezes campeão de duplas do Aberto de Barcelona — anteriormente havia sido campeão em 1961 e vice-campeão em 1962. Para Roy Emerson, este foi o sétimo dos sete títulos de campeão de duplas obtidos no torneio (1959, 1960, 1962, 1963, 1964, 1965 e 1966).

Primeiro brasileiro campeão do Aberto de Barcelona em simples, Koch também foi o brasileiro que primeiro foi campeão na disputa de duplas do torneio. Juntamente com Edson Mandarino, Thomaz Koch foi campeão do Aberto de Barcelona de 1967. Além do vice-campeonato de 1966 já citado, a dupla brasileira também foi vice-campeã em 1968. Mandarino foi o primeiro brasileiro finalista do torneio, pois foi vice-campeão de 1964, em parceria com o argentino Eduardo Soriano.

O tênis feminino no Aberto de Barcelona de 1966

No tênis feminino, Kathy Harter, dos Estados Unidos, foi a campeã de simples do Aberto de Barcelona de 1966, ao vencer Kay Urban, do Canadá, na final por 2×0 (6-2 e 6-2). Nas duplas, a parceria norte-americana Carole Graebner e Julie Heldman venceu na final Maryna Godwin, da África do Sul, e Helen Gourlay, da Austrália, por 2×0 (6-4, 6-3).

Na noite daquele domingo, no salão principal do Real Club de Tenis Barcelona foi realizada uma solenidade para a entrega dos prêmios aos vencedores do torneio. Entre os presentes, estiveram Kathy Harter, Thomaz Koch, Carlos Godó, o Conde de Godó, Luis Coma-Cros, presidente do Real Club de Tenis Barcelona, Joan Mir, presidente da Associação Catalã de Tênis, e Miguel Lerín Seguí, árbitro do torneio e então vice-presidente do clube.

Thomaz Koch celebrado no Aberto de Barcelona de 2016

Em 2016, quando se completaram 50 anos do Aberto de Barcelona de 1966, Thomaz Koch recebeu uma deferência da organização do torneio e esteve presente in loco para acompanhar os jogos do Aberto de Barcelona daquele ano.

Thomaz Koch celebrado no Aberto de Barcelona de 2016 – Créditos: Tênis News

Albert Agustí, então presidente do Real Club de Tenis Barcelona, Albert Costa, o diretor do torneio de 2016, e Carlos Godó, legítimo representante do Conde de Godó, entregaram a Koch uma réplica do troféu.

“Sou muito grato ao clube e aos organizadores do torneio por esta homenagem que eu não esperava. Tenho muito boas memórias dos meus tempos de jogador e de quando eu atuei aqui em Barcelona.” — Thomaz Koch

Koch disse sobre suas boas lembranças de Barcelona: “Eu gosto de Barcelona e sempre me recordo do confronto contra a Espanha, pela Copa Davis, com minha vitória contra Manuel Santana (3×0) e dias depois vencer o Aberto de Barcelona, um torneio que já tinha grande prestígio.”

O espanhol Rafael Nadal foi o campeão de simples do Aberto de Barcelona de 2016, Kei Nishikori, do Japão, foi o vice-campeão. Nas duplas, os irmãos norte-americanos Bob Bryan e Mike Bryan foram os campeões e os vice-campeões foram Marcel Granollers, da Espanha, e Pablo Cuevas, do Uruguai.

Resumo da final do Aberto de Barcelona de 2016
Premiação do Aberto de Barcelona de 2016. Créditos: Tennis TV

Koch na galeria dos campeões

Em outro momento, mas também no ano de 2016 em Barcelona, Koch disse sobre suas boas lembranças de Barcelona: “Eu gosto de Barcelona e sempre me recordo do confronto contra a Espanha, pela Copa Davis, com minha vitória contra Manuel Santana (3×0) e dias depois vencer
o Aberto de Barcelona, um torneio que já tinha grande prestígio.”

Ainda em 2016, Koch disse ao jornalista esportivo brasileiro Alexandre Cossenza: “Uns anos atrás eles estavam comemorando 50 anos do torneio nesse clube, que é o Real Clube de Tenis Barcelona e me mandaram um convite, e eu só recebi depois do torneio. Dois anos atrás, o
diretor do torneio me falou “vamos lhe convidar quando fizer 50 anos que você ganhou o torneio”. Eu disse “ah, tá legal”. Aí, no início do ano, me mandaram um e-mail me convidando para ir com acompanhante. Eu disse “claro”. Eu não estava esperando. Achei ótimo. Eu fui com
a minha filha. No dia que eu cheguei, me pegaram e me levaram para uma sala lá. Estavamtodos os grandes tenistas espanhóis. [Manolo] Santana, [Andrés] Gimeno, [Emilio] Sánchez, [Sergio] Casal, Ángel Giménez, José Arilla, Juan Gisbert… E aí, quando eu cheguei, todo mundo
levantou e bateu palma. Era uma coisa muito emocionante. Todos os dias, tinha alguma festividade, jantar, almoço, e no último dia me puseram na tribuna presidencial junto com o Plácido Domingo e o Santana. Foi uma coisa muito reverenciada. Convidam todo ano o campeão de 50 anos atrás. Mas eu achei que foi uma coisa especial, entende? Teve mais atenção. Também me colocaram na tribuna em um jogo do Barcelona. O presidente do clube me convidou especialmente. Foi muito incrível. Teve um carinho, uma atenção muito grande. Eu não esperava, entende? Claro, fiquei muito grato por isso.”

Desde quando Vic Seixas venceu o primeiro Aberto de Barcelona, em 1953, o elenco dos vencedores do torneio foi inaugurado com pompa e circunstância.

A conquista de 1966 colocou Thomaz Koch na galeria de campeões de simples do Aberto de Barcelona, uma lista luxuosa composta por vários tenistas renomados, entre os quais: Neale Fraser, Carlos Moyà, Roy Emerson, Richard Krajicek, Manuel Santana, Hans Gildemeister, Gastón Gaudio, Manuel Orantes, Thierry Tulasne, Jan Kodeš, Andrés Gómez, Balázs Taróczy, Tommy Robredo, Kent Carlsson, Casper Ruud, Art Larsen, Carlos Costa, Todd Martin, Martín Jaite, Emilio Sánchez, Sven Davidson, Kei Nishikori, Herbert Flam, Fernando Verdasco, Martin Mulligan, Ilie Nastase, Andrei Medvedev, Dominic Thiem, Holger Rune, Tony Trabert, Björn Borg, Carlos Alcaraz, Marat Safin, Thomas Muster, Ivan Lendl, Rafael Nadal, Mats Wilander e Juan Carlos Ferrero.