OEIRAS – Beatriz Haddad Maia tem imensa história para contar e muitos desses capítulos passam por Portugal. Depois do período mais negro, no qual perdeu praticamente todo o ranking após uma suspensão de quase um ano, a paulista escalou na hierarquia muito graças a pontos amealhados em solo luso, de lés a lés. No total, foram cinco os títulos conquistados em cerca de um ano, seis finais disputadas. Agora, praticamente cinco anos posteriores às meias-finais nas Caldas da Rainha (setembro de 2021), voltou ao nosso país para competir na terceira edição do Oeiras Ladies Open como prova WTA 125.
Desde que levantou voo na tabela feminina, Haddad Maia atingiu feitos históricos tanto para ela como para o ténis brasileiro: venceu quatro títulos no circuito principal ao cabo de sete finais (a maior no WTA 1000 do Canadá), chegou ao top 10 e às meias-finais de Roland-Garros, bem como aos quartos de final em Wimbledon. Agora no posto 69 do ranking, a tenista de 29 anos pretende voltar aos tempos áureos.
O regresso deu-se com triunfo diante da número um nacional Francisca Jorge, num encontro realizado no Court Central do Jamor perante muito boa casa. “Estou muito feliz por estar de volta a Portugal. Vamos melhorar agora, cada dia, cada ponto, para tentar fazer a semana ser a mais longa possível”. Primeira cabeça de série no torneio, a brasileira é a grande estrela do certame, mas o êxito na primeira ronda foi somente o segundo da temporada e o primeiro contra uma tenista com cotação internacional – em Doha, no qualifying, bateu uma jogadora local sem ranking.
“Portugal tem com certeza um lugar muito especial no meu coração. Passei por um momento duro na minha carreira, onde Portugal foi muito importante. A Federação Portuguesa de Ténis, o Vasco [Costa], na época ajudou-me bastante. Tive oportunidades, conseguir competir bastante, fazer bastantes jogos. Levei alguns títulos para casa também. Foi muito especial. Estava com as minhas amigas Carol [Carolina Meligeni] e a Ingrid [Martins] também e a gente tentou ajudar-se da forma que dava. Elas também foram importantes nesse momento. Guardo essas lembranças e memórias e lembro-me que todo o recomeço e todo o momento difícil passa”, sublinhou em conferência de imprensa.
E como há que “ser forte para enfrentar coragem” a adversidade, Haddad Maia quer relançar a fase menos boa. Em 2025, somou somente 16 triunfos e foi caindo na hierarquia para agora estar com a pior cotação desde o início de 2022. “Estou a considerar este novo momento como uma nova oportunidade de ter coragem e enfrentar os desafios”.
E carta de amor a Portugal continuou, país que considera uma segunda casa. “Vivi momentos muito bons. Vitórias, derrotas, muita coisa aconteceu. O facto de ter tido bons resultados acabei a não poder jogar aqui em Portugal de novo. Mas fico muito feliz de voltar e ver o crescimento do ténis. Cada vez mais portugueses a jogar, a quadra com bastante gente a acompanhar. Vocês aqui num clube onde não é só ténis que se pratica, tem outros desportos também. Então isso é muito importante para a cidade, para o país. Mais do que a minha visão e felicidade pessoal, também é muito bom ver a Federação [Portuguesa de Ténis] a crescer. Fico feliz de contribuir de alguma forma”.
E se na altura, 2020 e 2021, se sabia que estaria por cá temporariamente, não era propriamente fácil imaginar o tamanho sucesso que veio a alcançar. Mas Haddad Maia, sempre confiante até nesses tempos sombrios, referiu ter sempre confiado “no processo” e nem se surpreende com o percurso realizado a partir da descolagem. “É tudo uma questão de confiança, de tempo, de não ter pressa”.
Com Carlos Martinez ao leme da equipa desde o início do mês, a atual top 70 WTA tem agora Barcelona como nova base de treino. E mais do que metas específicas de resultados, pretende recuperar o caminho do sucesso e a felicidade de outrora. “Mentalmente o principal agora é construir uma base competitiva, estar sólida. Quantos mais jogos fizer, melhor. Quero estar mais constante e conseguir desfrutar dos momentos duros do jogo. Estou muito motivada, muito animada, com vontade de aprender”.
Costuma dizer-se que não se regressa a um local de felicidade. Mas quem sabe a história não se volta a repetir para Beatriz Haddad Maia e o nosso país poderá servir, de novo, como rampa de lançamento. Agora numa posição bem menos precária do que em 2020.
O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim conseguiremos informar mais pessoas sobre o que acontece no mundo do tênis!
Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original
